sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Uma boa noite,
Sorria, amanhã é Sábado!!!






De igual para igual

© Letícia Thompson

Não existem dois seres humanos absolutamente iguais. Não existem dois seres humanos que amam absolutamente igual ou odeiam de igual maneira. E todos querem ir além, atravessar as barreiras da vida e sobreviver para fazer a diferença no mundo.

Só que às vezes nesse desejo de ir além, mostrar quem somos e do que somos capazes, pecamos com nossas atitudes que produzem efeito contrário daquilo que esperamos.

Quando rebatemos um comportamento negativo com outro comportamento negativo somente para dar o troco, não só não mudamos a situação, como nos colocamos no mesmo nível daquela pessoa. Quando trocamos o ódio pelo ódio, a indiferença pela indiferença, o desprezo pelo desprezo, a vingança pela vingança, não mudamos nada no positivo, apenas contribuímos para que o mundo continue no caos que está.

Há pessoas que não falam porque não falam com elas, não abraçam porque não são abraçadas, não beijam porque não as beijam e não amam simplesmente porque não se sentem amadas. Há os que ferem voluntariamente porque se sentem feridos e depois querem ver a situação mudada.

Será que ainda não compreenderam que se o amor gera o amor, o ódio gera o ódio? O amor pode superar todas as coisas, mas o ódio só pode superar o ódio para causar a destruição.

Precisamos amar as pessoas mesmo se elas não nos amam, porque as amamos independente delas, porque colocamos para fora aquilo que existe dentro de nós. Precisamos fazer a diferença sendo diferentes e se devemos buscar um sentimento de igualdade, que seja então no amor, na compreensão, no entendimento.

Mesmo se não conseguimos esquecer uma mágoa que deixou cicatrizes no nosso coração e se as sombras do passado voltam com insistência, podemos produzir em nós o antídoto que conduzirá à nossa cura.

Um jardim que produz ervas daninhas continuará produzindo e será todo tomado se o jardineiro não tiver o cuidado de arrancar e jogar fora de vez em quando.

O ódio, vingança, sentimento de desprezo, são sentimentos que nos maltratam mais que a qualquer outra pessoa que convive conosco. E elas afastam de nós as outras pessoas.

Aqueles que querem ser amados devem produzir o amor. Eles devem respirar e transpirar o amor. Esses terão em torno de si aquela aura de paz que os tornarão únicos, especiais e inconfundíveis.






O Amanhã não existe

@ Letícia Thompson


As pessoas não são eternas. Pelo menos não na vida terrena. Elas apenas passam, vivem o tempo que lhes é ofertado e retornam à terra.

Ninguém pode acrescentar um segundo sequer à sua vida ou à de alguém. Não temos esse poder e quando a hora chega, ela chega.

Mas preferimos não pensar nisso. Julgamos que temos todo o tempo do mundo para fazer isso ou aquilo, para recuperar o perdido, para sarar o ferido e restabelecer a paz.

Amanhã eu ligo, amanhã eu faço, amanhã peço perdão, amanhã me reconcilio, amanhã... como se pudéssemos segurar o amanhã nas nossas mãos! Como se ele fosse chegar por nossa vontade e trazer tudo como ontem ou como hoje! Amanhã? Hoje é o amanhã de ontem e tudo continua na mesma, por que espera-se pelo amanhã.

Cada qual tem sua história e suas histórias. Cada qual sua cruz e suas dores, suas alegrias, seus lamentos, seus dissabores, seus ganhos e perdas. É o que nos forma como pessoas, que nos dá a impressão de existir, de fazer parte do universo. E há, assim, como com milhares de outros, relacionamentos quebrados, porque um dia alguém feriu e foi ferido.

Quando isso acontece, construímos em volta do nosso coração um muro, uma barreira que o outro não pode atravessar. Nos sentimos tão importantes com isso que nem percebemos que esse muro impede o outro de entrar, mas nos impede, a nós, de sair. Nos tornamos prisioneiros, aprisionados das nossas idéias e nossas mágoas. Não estendemos a mão e recusamos a do outro, caso nos estenda.

Enquanto isso, a vida continua. Não damos, talvez para punir e não recebemos, como punição que nos infligimos a nós mesmos, inconscientemente.

Vamos deixar para amanhã para resolver isso, porque hoje estamos magoados demais, não conseguimos perdoar e não queremos dar o braço a torcer, afinal, não erramos. E eu diria, como Cristo, quem nunca errou, que atire a primeira pedra!

Amanhã não existe. O amanhã, só o conhecemos quando o sol nasce e que o Senhor nos dá aquele dia a mais. E todo mundo não chega lá. Não podemos afirmar que estaremos ainda aqui, porque a vida é imprevisível, às vezes temos o sentimento que é mesmo cruel.

Se o hoje nos é ofertado, por que não viver sem grades e sem muros, em comunhão com o mundo e com Deus? O orgulho? Olhe para ele de cara feia e diga: eu quero é ser feliz e se eu quero, eu vou ser feliz!

Muros nos impedem de abraçar, de sentir o calor ou as batidas do coração do outro. Nos impedem de dar e de receber, nos transformam em pessoas separadas e isoladas.

Destrua, então, com coragem, dessa que só os grandes possuem, esse muro em volta do seu coração e volte a abraçar. Perdoe, mesmo se perdão não foi solicitado, porque cada qual deve dar conta da sua vida a Deus e a outra pessoa responderá por si mesma.

Liberte-se , porque se o amanhã não vier para a outra pessoa, você terá que aprender a conviver com seu coração fechado e terá perdido os melhores anos da sua vida.



Sol Hoffmann

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