terça-feira, junho 30, 2015

Urgência Emocional


Se tudo é para ontem, se a vida engata uma primeira e sai em disparada, se não há mais tempo para paradas estratégicas, caímos fatalmente no vício de querer que os amores sejam igualmente resolvidos num átimo de segundo.

Temos pressa para ouvir “eu te amo”, não vemos a hora de que as regras de convívio fiquem estabelecidas: somos namorados, ficantes, casados, amantes?

Urgência emocional.

Uma cilada.

Associamos diversas palavras ao amor: paixão, romance, sexo, adrenalina, palpitação.

Esquecemos, no entanto, da palavra que viabiliza esse sentimento: paciência.

Amor sem paciência não vinga.

Amor não pode ser mastigado e engolido com emergência, com fome desesperada.

É preciso degustar cada pedacinho do amor, no que ele tem de amargo e de saboroso, no que ele tem de duro e de macio, os nervos do amor, as gorduras do amor, as proteínas do amor, as propriedades todas que ele tem.

É uma refeição que pode durar uma vida.

Mas não. Temos urgência.

Queremos a resposta do e-mail ainda hoje, queremos que o telefone toque sem parar, queremos que ele se apaixone assim que souber nosso nome, queremos que ela se renda logo após o primeiro beijo, e não toleraremos recusas, e não respeitaremos dúvidas, e não abriremos espaço na agenda para esperar!

Temos todo o tempo do mundo, dizem uns; não há tempo a perder, dizem outros.

Ficamos perdidos no meio deste fogo cruzado, atingidos por informações.

Parece que todos sabem mais do que nós, pobres de nós, que só queremos uma coisa nessa vida: ser amados.

Podemos esperar por todo o resto: emprego, dinheiro, sucesso, mas não passaremos mais um dia sequer sozinhos.

”Te adoro”, dizemos sei lá pra quem, para quem tiver ouvidos e souber responder “eu também”, que a gente está mais a fim de acreditar do que de selecionar.

Urgência emocional.

Pronto-socorro do amor.

Atiramos para todos os lados e somos baleados por qualquer um.

E o coração leva um monte de pontos por causa dessa tragédia: pressa.


Martha Medeiros

A língua da B


Forte, risonha, de coluna reta, Berenice gosta de prosa enquanto trabalha faxinando casas aqui e ali, de sábado a sábado. E fala em língua própria e personalizada. Quando fica muito triste, chega avisando “fiquei com meu coração trespassado”.

Mas normalmente está “alegre por demais das contagens”. Que esse é seu estado de ir esperando chuva para “apagar a poeira” e seca “pra desmelar a lama”.

Mineira, Berenice é personagem revivido de Guimarães Rosa. A pessoa é que “assenta” o nome. “Eu penso e repenso assim”, diz convicta. “Não escolhi o meu, mas fiz ele. E tá feito.”

Segundo ela, a vida só é dura “prus desmorecidos”. O des é seu prefixo preferido. Enfeita quase tudo do que ela diz com certeza certa, pose e sem qualquer inibição. “Se alguém quisera me desumilhar, se desborracha, que cara feia pra mim é doce”.

E lá vem ela, segura de que seu trabalho é bom e a vida só tem uma receita: “desencarar de frente”. As aspas acabam aqui. Segue Berenice na íntegra.

Enquanto limpa a mesa da cozinha, vê a presidenta na TV, para, pensa e dispara: Como a Dilma esmagreceu. Ela tá muito aliada, num é? (Precisa traduzir?)

Quando chega atrasada, explica-se: Você não tem loção de como tava o transido hoje. E o ônibus durim de gente. Terrive.

E vai emendando: Vou botar logo a máquina pra revoltá. (Nem a máquina está revoltada por ter de trabalhar, nem roupa por cair na água e perder a sujeira. Revoltá é só o nome que Berenice resolveu dar para o ato de ligar a máquina).

O passo seguinte será despendurar a roupa. Palavra que ela usa tanto para botar a roupa no varal quanto para tirar. Ela despendura e pronto.

Corda ele chama de coida, básico é basigo. Rúcula é rugla. Bom humor é bom amor, mau humor é mau amor. E tem dias que ela já chega avisando: To muito mau amorada hoje. Destribilei lá em casa.

Vez por outra o celular da Berenice escarrega. E ela nem apercebeu: ele (o cel) vinha pedindo carrego. Mas eu, aqui intertida, se esqueci de descarregar. (Tradução?)

Embalada na prosa, ela conta poetando: Logo ontem, que eu tava pressada, e a novela garrou de ser grande. E eu num desreligo a TV enquando não termina o fim (do capítulo)...

A língua customizada da Berenice tem poesia. Sobre o filho que não quis estudar naquele dia, ela concede: Tem dia que ele tá com o destino de brincar e não refaz nada de diferente disso.

Sobre o cachorro que late quando chega alguém em casa, ela não tem dúvida: Quando ele (o cachorro) vê um motivo, começa a latir mesmo...

Berenice diz que é boa de fazer contas dentro da cabeça, ela só se destrapalha mesmo quando tem de reler os números descritos. Ai é uma descomplicação só!

Sobre gostar ou não de trabalhar, tem uma certeza: Precisa botar costume no corpo ou então desgoverna...

Em recompensação, ensina ela, a vida, com tudo que tem de dentro, nunca desvale a pena. Se desvalesse, ninguém ficava em cama de hospital, espreitando Deus, pra não ser levado fora da hora de não ir.

Conta que tem muita pena dos desaleijados, despaciência com os assoberbados – esses que pensam que desvacuam bombom.

Também tem muita reiva dos que gnoram o temor de Deus e saem desabestados por esse mundo du coisa demo se desvalendo da desgraça aleia. Avisa sempre: chamar pelo nome o coisa demo é perigo certo. Que essa palavra, dita num fora de hora, pode atraer maldade de desassombrar até o menino Jesus do céu.

A prosa da Berenice é farta e rica de berenices. Ela, garante, tem nomeação pra tudo. Num sei como fala, espresto bastante tenção, e repito pra lá de formosa. Com as letrinhas todas bem dizidas, pra ninguém dispor dúvida que eu descompredi o dito.

Dia desses chegou contando que, na véspera, tinha ficado bem descontrangida com o cunhado. Ele, assim do nadinha, resolveu dizer que os meus selhos eram bem mais bonito que os da minha irmã. Agora, veja só se isso é o que se fale na proximidade da própria mulher sua?

Por nada nesse mundo Berenice arruma paciência pra gente desvalidada, que só faz chorar o leite esparramado. Não atolero frescuragem, nem desaforagem, avisa e repete outra máxima: Feito cantava a musga, vem no quente que vou no fervendo. Que desmorecê não desmoreço não.

Berenices.


Tânia Fusco



Tânia Fusco

segunda-feira, junho 29, 2015


Boa noite Comentando...










"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

(Clarice Lispector)







"As pessoas mais felizes raramente são as mais ricas, ou as mais bonitas, ou mesmo as mais talentosas. Seus olhos estão voltados para fora, compassivos. 
Eles têm a capacidade de amar." 


(Jane Canfield)






Sol Hoffmann

REMENDANDO A CALÇA DOS PASTORES


❝ Duas esposas de pastor estavam sentadas, uma ao lado da outra, remendando as calças de seus maridos.

Uma delas falou à amiga:

“Pobre do João, ele está muito desencorajado no trabalho da igreja. Há alguns dias ele falou até em renunciar e entregar seu cargo. Parece que nada vai bem e tudo dá errado para ele.” 

A outra respondeu:

“Lamento por vocês. O meu marido tem dito exatamente o contrário. Tem sentido cada dia mais intimidade com Deus, como nunca havia experimentado antes.” 

Um pesado silêncio atingiu aquelas duas mulheres, que continuaram com os remendos, mas sem trocar mais nenhuma palavra.

Uma delas estava remendando os joelhos da calça de seu marido e a outra, a parte traseira.

Resumindo: A primeira esposa lamentava as queixas do João, enquanto remendava os rasgos feitos de tanto ele ficar sentado.

Já a outra esposa, consertava os furos dos joelhos da calça, devido a tantas horas em oração do seu marido. ❞


 ( Extraído - Em Cristo Ev. Marcos Ferreira )

domingo, junho 28, 2015


Boa noite Comentando...








Saber esperar...



Tantas vezes queres que tudo aconteça, já, neste segundo...

E quando os dias passam e algo te acontece, agradeces pelo tempo dado, pela espera ansiosa, pela alegria agora tão presente.

Esperar requer boa vontade, compreensão e discernimento.

Enquanto esperas, não entres em confusão...

Faze dos teus dias, dias de sol.

Faze das tuas noites, noites de luas e estrelas.

Para que por eles tu atravesses em celebração, em doçura, em devoção.

Sem ser tocado pelo medo, sem ser escondido pela escuridão, sem ser engolido pela fome da ilusão.

Não te enganes achando que somente tu é quem dará as tuas próprias direções.

Há livre arbítrio, mas há cursos que deverás incorrer sem ao menos saberes o porquê.

Nestes tempos, tranqüiliza, pois teu coração reconhece e vive intensamente o que a luz deixa derramar sobre ti sem a tua devida consciência.

Tudo porque ainda não sabes o que é melhor para ti.

Tudo porque ainda tens dúvidas quanto ao teu valor, a estrela que reluz dentro de ti.

Tua existência é rodeada de cuidados, de proteção e de amor.

Tua existência é sagrada, portanto, vive o que te é dado viver.

Quando tua vida parecer parar em algum ponto do tempo, lembra-te que esperar é ser confiante, e ser confiante reflete aquele que nunca se esquece de tecer a sua própria rede.

Espera com teu coração e tua mente saberá o silêncio descansando em paciência.


(Desc. autor)


Sol Hoffmann


sábado, junho 27, 2015


Boa tarde Comentando...







Se dê uma chance...



Quando a tristeza toma conta, quando chega sem aviso,
e nos tira da frente dos olhos o que de belo temos para ver,
e os rouba os sentimentos e os sorrisos...
Neste momento é chegada a hora de sentar um pouco...
Sentar em um dos tantos espaços da vida, quietinho,
e muito lentamente, trilhar o caminho ao início da mágoa,
à fonte da tristeza.
E chegando nela, observar muito atentamente,
sentir com toda intensidade,
conhecer realmente e encarar de frente
a razão desta mágoa.
E a partir deste momento projetar a saída
para a VIDA, para a PAZ novamente.
você terá sempre caminhos à escolher.
Você pode escolher permanecer neste espaço de infelicidade,
sentir sua vida se esgotando, e carregar com você pessoas que ama,
que te amam, e precisam de sua ajuda
AINDA e SEMPRE.
E passará o que resta de sua vida com uma lágrima nos olhos
e uma grande e pesada porta vedando seu coração.
Mas você pode perceber que existe um caminho
mais difícil de iniciar, mas muito mais fácil de percorrer...
Você pode tentar se erguer e dar o primeiro passo para a
PAZ.
Porque sua tristeza pode ser imensa, mas com certeza
você tem por perto uma, talvez até pequena, fonte de felicidade.
Se dê uma chance e se entregue à esta pequena alegria,
deixe que um amigo se aproxime de você,
receba o beijo carinhoso de alguém que precisa te amar,
e aceite caminhar de mãos dadas, ainda que por pouco tempo.
E se além de imensa, tua tristeza é irreparável, sem chance alguma
de sair de uma vez de tua vida, mesmo assim, não desista.
Guarde em teu coração o sentimento que esta tristeza cria em você.
Não fuja disto.
ENFRENTE ISSO!!
Você vai então perceber, que teu coração é imenso...
como é grande este nosso coração...
Porque mesmo com aquela tão nossa conhecida tristeza
ocupando nele seu espaço, ainda assim, existe outro espaço infinito,
e quantos e quantos momentos de felicidade
podem ainda ser aninhados dentro dele.
E apesar de serem "momentos" de felicidade,
de não serem eternos, a lembrança desta felicidade
permanecerá eternamente contigo.
Valorize cada uma destas lembranças.
Logo nos teus primeiros passos em direção à um amigo,
você com certeza vai receber um sorriso.
GUARDE CONTIGO!!!
Você quem sabe, receberá um olhar afetuoso,
um afago no rosto, um cheiro de flor, um carinho de criança...
Guarde tudo isto em teu coração!!
Cada pedacinho de felicidade te dá força
e coragem para mais um passo.
Porque a VIDA é assim...
ou você se deixa escorregar fácil e displicentemente pelas tristezas,
ou você constrói a cada dia e a cada minuto,
o SEU espaço quente e aconchegante de
FELICiDADE!!!

(desc.autor)


Sol Hoffmann

O povo dança e canta nas ruas


Que maravilha, que beleza.
Que dia para a gente lembrar sempre, dia histórico.
Foi uma vitória de encher o peito, de acelerar o coração.
O povo dança e canta nas ruas.

Bem, a última frase é um exagero, claro. Uma licença poética. É a frase que todo jornalista gostaria de botar na manchete. Se possível em caixa alta, ocupando todas as colunas, como o New York Times fez em duas ocasiões, que eu saiba – “Men walk on moon” e “Nixon resigns”.

O POVO DANÇA E CANTA NAS RUAS

Se não propriamente dança e canta nas ruas, dança e canta nas redes sociais, que no és lo mismo pero és igual.

Me deu uma felicidade daquelas de arrepiar quando vi a página do Facebook se colorindo com as cores do arco-íris.

Foi rápido, foi avassalador, como têm sido os movimentos gerais, das multidões, nas redes sociais, nestes tempos modernos. Em um espaço curtíssimo de tempo, sei lá, talvez uma hora, as fotos de dezenas e dezenas de amigos meus se coloriram. Amigos – muitos amigos da vida, mesmo, daqueles que a gente guarda do lado esquerdo do peito, como lembrava o poeta Fernando Brant. Outros, novos amigos, que a gente nunca abraçou, mas com quem a gente convive neste admirável mundo novo das redes.

Me deu orgulho de meus amigos. De ter tanto amigo que está do meu lado, que, diabo, é o lado certo.

***

Acho que vou divagar um pouco.

Quando cheguei à adolescência, fui aprendendo com os mais velhos e também com os meus colegas que tudo é relativo, e não há, a rigor, o certo e o errado.

Levei muito tempo para entender que a relatividade é relativa. Que há algumas verdades que são básicas, pétreas, fundamentais. Tipo aquela mais básica, mais pétrea, mais fundamental de todas: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.

Negar as verdades básicas, ir contra as verdades básicas é errado. Não cabe relativismo nenhum nisso. É errado, é imoral – e pronto.

Assim, como corolário disso, temos que todo tipo de preconceito é errado, é imoral. Qualquer um – contra brancos, contra negros, contra cafusos, contra confusos, contra lúcidos, contra amarelos, contra gays, contra veados e/ou viados, contra héteros, contra sapatões, sapatinhas, sandalhinhas, contra bis, contra tris, contra qualquer um.

Todo tipo de preconceito ou de barreira que impeça qualquer tipo de pessoa de exercer plenamente seus direitos – e seus deveres também, como a Declaração Universal faria bem se lembrasse.

***

Há uns cinco ou seis temas que dividem as sociedades praticamente ao meio. A pena de morte. O direito ao aborto. O direito à morte digna. O direito de usar drogas. O direito de qualquer casal, seja ele formado por pessoas de que tipo for de opção sexual, se casar, constituir família.

Eu, euzinho, eu aqui, sempre fui e continuo sendo – cada dia mais – contra a pena de morte e a favor de todos os direitos citados acima.

Sei que todos esses temas são polêmicos, que dividem as sociedades. De todos eles, no entanto, o que me parece mais óbvio, mais tranquilo, mais simples, é o do casamento.

Proibir casamento de dois homens, ou de duas mulheres, é absurdo, grotesco, é muito pior que medieval – é pré-histórico, é paleolítico.

O Supremo Tribunal Federal do Brasil teve esse entendimento, quatro anos atrás, se não me engano – e os nossos ministros merecem, por isso, toda a nossa reverência.

A Suprema Corte dos Estados Unidos teve esse entendimento hoje. É verdade que o placar foi apertadíssimo, 5 a 4 – afinal, a Suprema Corte sempre representou a sociedade americana, e a sociedade americana é dividida ao meio diante de diversas questões fundamentais, inclusive, ou principalmente, aquelas cinco ou seis que citei.

Como os Estados Unidos são o pais mais rico, mais influente, mais avançado (em muitas coisas) do planeta, a decisão é de fato histórica, maravilhosa, sensacional.

É de fazer o povo dançar e cantar nas ruas.

Bem, ou de dançar e cantar nas redes sociais. No és lo mismo, pero és igual – o casi.

***

Participar de uma felicidade coletiva é uma das melhores coisas que pode haver na vida.

E foi o que senti hoje, vendo a time line do Facebook virando arco-íris. Me sentindo orgulhoso dos meus amigos, de tanta gente que fez a opção certa.

Quando Mary conseguiu me carregar para Paris, porque num final de noite eu bêbado disse que iria a Paris se fosse para ver um show de Moustaki, e aí ela comprou ingressos para a sexta fila do Olympia, e aí não teve jeito, e fui, eu virei pra ela – me lembro perfeitamente – e falei pra ela olhar pra trás, pro Olympia lotadinho, lotadinho. E disse: “Aqui não tem nenhum mau caráter. Nem sequer um. Mau caráter não vem a show de Moustaki”.

Quem não está feliz hoje, no dia em que o site do New York Times mancheteia, em caixa alta, SAME-SEX MARRIAGE IS A RIGHT, SUPREME COURT RULES, 5-4, pode até não ser exatamente mau caráter, mas tá perto. É doente da cabeça, e do pé.

***

E não dá para não lembrar da sequência da Marselhesa de Casablanca.

Os boches, os tedescos, os filhos da puta dos nazistas estão cantando no Ricky’s Café. Ricky vive bem em Casablanca porque não toma partido, não se incomoda, não liga.

Mas Victor Laszlo – o herói anti-nazista que está agora comendo Ilsa, o amor da vida de Ricky – ousa interferir. Vai até a orquestra e manda que ela toque a Marselhesa.

O líder da orquestra fica em pânico, em dúvida. Seu olhar procura pelo patrão, e acha o patrão, lá em cima.

Ricky faz um sinal de cabeça. A orquestra começa a tocar La Marseillaise. O hino da França faz calar os barulhentos nazistas.

É uma sequências mais belas, mais emocionantes da História do cinema.

Poucos dias atrás, Manuel S. Fonseca escreveu o seguinte (eu gostaria de escrever como Manuel S. Fonseca, quando eu crescesse):

“Chorei, mais crescido, e não foram nunca lágrimas de crocodilo, no Casablanca, quando os porcos nazis atroam os ares com a sua canção fascista e o Bogart, com um aceno de cabeça, deixa que a banda toque a Marselhesa. Um coro de patriotas, mas também as putas, jogadores e bêbados, vão buscar às alienadas tripas a dignidade perdida e um gajo, no sofá do cinema, não tem outro remédio senão desatar num choro convulsivo de baba e ranho. Ah, meu Deus, de vez em quando, o bem que sabe ter a certeza e chorar ao lado dos bons.”

Me aproprio das palavras de Manuel, neste dia de alegria: ah, meu Deus, de vez em quando, como é bom ficar feliz ao lado dos bons.

50 Anos de Textos

sexta-feira, junho 26, 2015


Boa noite Comentando...








Basta Um Minuto  


Um minuto serve para você sorrir:
Sorrir para o outro, para você e para a vida.
Um minuto serve para você ver o caminho,
olhar a flor, sentir o cheiro da flor,
sentir a grama molhada,
notar a transparência da água.

Basta um minuto para você avaliar a imensidão
do infinito, mesmo sem poder entendê-lo.
Em um minuto apenas você ouve o som
dos pássaros que não voltam mais.

Um minuto serve para você ouvir o silêncio,
ou começar uma canção.
É num minuto que você dará o sim
que modificará sua vida... e basta.

Basta um minuto para você apertar a mão
de alguém e conquistar um novo amigo.
Em um minuto você pode sentir
a responsabilidade pesar em seus ombros:
a tristeza da derrota,
a amargura da incerteza,
o gelo da solidão,
a ansiedade da espera,
a marca da decepção
e a alegria da vitória...
Quanta vitória se decide num simples momento,
num simples minuto!

Num minuto você pode amar,
buscar, compartilhar, perdoar,
esperar, crer, vencer e ser...
Num simples minuto você pode salvar a sua vida...
Num pequeno minuto você pode incentivar
alguém ou desanimá-lo!

Basta um minuto para você recomeçar
a reconstrução de um lar ou de uma vida.
Basta um minuto de atenção para
você fazer feliz um filho,
um aluno, um professor, um semelhante...

Basta um minuto para você entender
que a eternidade é feita de minutos.

(Desmond Tutu)



Sol Hoffmann

Boa Noite...


Deixando meu carinho...




Seja a mudança que você quer ver no mundo.




Grandes mudanças acontecem a partir de pequenos detalhes, principalmente aqueles a que não damos tanta importância. 

Você já parou pra refletir sobre a importância dos detalhes como um diferencial relevante em qualquer situação ou contexto? 

Geralmente, a maioria das pessoas julgam os pormenores como sendo de pouca valia, mas eles são decisivos na avaliação final de qualquer circunstância, seja no aspecto pessoal, nas relações familiares e lavorativas. A questão do detalhe é primordial e traz resultados significativos, se aplicados de forma inteligente. 

Acho muito interessante a frase do indiano Mahatma Ghandi: 

" Seja a mudança que você quer ver no mundo" 

Pois Ghandi teve a capacidade de resumir em poucas palavras, acerca da nossa responsabilidade precípua diante dos acontecimentos e desdobramentos de nossas ações no mundo em que vivemos. Estão implícitos neste contexto: não vitimização, inconformismo e boa vontade em construir um mundo melhor com atitudes transformadoras. 

A mudança é uma dinâmica que começa em nós e a partir de nós. Uma atitude, por menor que seja, cria força e a partir daí, dá-se início a um processo de novas interações e consequências que muitas vezes nao podemos prever. Lei de ação e reação? Efeito borboleta? Fractal? Você pode defini-la como quiser. O que nos interessa é que a construção do mundo que desejamos se encontra em nosso poder, em nossas mãos, a partir de pequenas contribuições, de pequenas "gotas" de ações generosas e transformadoras. Como disse Madre Teresa de Calcutá: 

" Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota". 

A estorinha a seguir nos leva a refletir como uma pequena atitude pode se desdobrar em mudanças inesperadas. Através de um simples gesto de amor, de preocupação, todo um contexto foi transformado. O mesmo vale para atitudes de ódio, indiferença e preconceito. Estas atitudes também trarão consequências. Sabemos exatamente como vai se desdobrar uma atitude desumana para com o outro? Onde isso vai parar exatamente? Nós não estamos "de fora" de tudo isso, e por este motivo não podemos estar indiferentes as atitudes desumanas que ocorrem à nossa volta, seja com as pessoas, os animais e o planeta. Somos intrinsicamente responsáveis e coniventes por tudo o que nos acontece. 

O que você vai escolher para iniciar uma cadeia de acontecimentos? Uma flor? Um sorriso? Uma ação generosa? Isto depende do mundo em que você quer viver. Precisamos de um mundo regenerado e o momento é agora. Para este fim, devemos enfraquecer o proprio "ego" e abraçar a proposta de que somos todos interligados e que a postura mais inteligente é a consciência e percepção de nossa responsabilidade coletiva na construção de um mundo mais digno e humano. 

Para ilustrar a questão das ações e seus desdobramentos, é muito interessante a estória do vestido azul.


Conta uma estória, que em um vilarejo vivia uma menina pobre que sempre frequentava a escola muito suja. Seu professor, comovido com a situação da menina, e apesar dos esforços financeiros, comprou-lhe um vestido.

A partir de então, sua mãe passou a cuidar melhor do asseio da criança, visto que não seria coerente que a menina vestisse o vestido novo tão suja. Por outro lado, seu pai, vendo que a filha estava bem cuidada, decidiu que a menina merecia uma casa bonita e teve a atitude de realizar alguns reparos, tornando-a mais agradavel de viver.

A esposa, ao ver que a casa estava mais bonita, teve a ideia de fazer um lindo jardim, pois uma casa reestruturada precisava de flores para dar vida ao lar. Os vizinhos, assim que notaram as mudanças, também começaram a pintar suas casas e a criarem seus jardins. E dessa forma a vila inteira foi toda transformada.

O vestido foi um mero detalhe ou o gatilho para mudanças significativas? 

O mundo é o reflexo do somatório de atitudes de cada um de nós. Um mundo melhor beneficia a mim e a você também, pois estamos todos interligados. No entanto, não estamos agindo de maneira coerente, pois se assim o fosse, o mundo não estaria vivenciando uma crise de valores imensa. "O cada um por si e Deus por todos" que o diga. O individualismo e o egoísmo prepondera, e os efeitos são nefastos, mas continuamos com as mesmas atitudes, não nos convencemos que estamos vivendo sem qualquer qualidade de vida e principalmente sem amor. Não pode existir qualidade de vida levando-se em conta somente os próprios interesses em detrimento do outro e do planeta em que vivemos. Pequenas atitudes diárias podem ajudar a reverter o quadro. Esta atitude é um pequeno detalhe.

PARA REFLETIR: 

Muitas vezes é no detalhe que se encontra a alma de um projeto, de uma proposta. Portanto, precisamos aprender a valorizar os pequenos detalhes, pois são eles que fazem todo o diferencial. Normalmente queremos grandes coisas, grandes resultados e acreditamos que somente as grandes atitudes são as unicas que importam e que geram resultados. Não é bem assim.

Nunca se esqueça: Grandes resultados são o produto de pequenas atitudes e ações somadas em um contínuo processo de construção. Muitas vezes, a solução daquele problema que parece tão difícil de resolver se encontra em um pequeno detalhe que passou despercebido porque não foi julgado como interessante.

O mesmo vale para a criação e manutenção de relacionamentos interpessoais saudáveis. Um pequeno gesto, uma palavra de conforto, uma atitude gentil geram resultados maravilhosos na autoestima de quem as recebe. O detalhe é o toque de magia em qualquer contexto e é o açúcar da alma nos relacionamentos.

Portanto, o momento é de conscientização, lucidez e reflexão de como estamos vivendo nos dias atuais. Precisamos ter atitudes diferenciadas conosco, com nossa familia e em nossa comunidade, pois é nosso dever como pessoas de bem, contribuir através de nossas atitudes, a construção de modelos comportamentais dignos de uma boa convivência. A edificação de um melhor mundo, este que todos vivemos, também é responsabilidade nossa. Nao espere que o governo mude, que a cultura mude, que as pessoas mudem.

O momento è de regeneração de valores, conceitos e paradigmas. A partir do nosso exemplo, promovamos a transformação de um mundo de amor, paz, benevolência, igualdade e parcimônia. Façamos a nossa parte, façamos a diferença.

Vamos começar com atitudes simples geradoras de bem estar para nosso mundo.

Afinal de contas, é só um pequeno detalhe… 

"Ontem foi embora. Amanhã ainda não veio. Temos somente hoje, comecemos! Qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz” 

[Madre Teresa de Calcutá]



SORAYA RODRIGUES DE ARAGÃO
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...