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domingo, dezembro 06, 2015

Chega de mentira: #ForaDilma, #ForaCunha


Público selecionado, auditório lotado, pronto para ovacionar a presidente aos gritos de “não vai ter golpe” e “fora Cunha”. Essa foi a recepção dada a Dilma Rousseff no encerramento da 15ª Conferência Nacional de Saúde, sexta-feira, em Brasília. Ali, talvez inebriada pelos aplausos cada vez mais raros nestes tempos de popularidade no chão – e menos de 40 horas depois da materialização do processo de impeachment - ela não se conteve e, diante de fiéis, mentiu de novo.

Além de dizer que continuará dialogando com toda a sociedade – algo que, por soberba ou falta de tato, não fez no primeiro e muito menos no segundo mandato -, Dilma, no afã de agradar à plateia que a acariciava, lançou loas ao trabalho incansável dela e de seu governo “para cuidar da saúde de todos os brasileiros”.

Logo da saúde, setor que historicamente impõe ao PT e a ela as maiores derrotas. Que deixou de liderar o ranking dos maiores problemas do país na última pesquisa Datafolha não porque o atendimento à população tenha melhorado, mas devido ao aumento da bandalheira. Perdeu para a corrupção, tamanho o roubo de dinheiro público para manter o PT no poder, financiar aliados e empanturrar bolsos de uns e outros em vez de melhor servir ao cidadão e a sua saúde.

As mentiras - tão usuais e mais intensas na campanha de 2014 - ganharam ritmo frenético. Mentir virou método. Dominou tudo e todos.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, mentiu quanto à motivação para acatar um dos 34 pedidos de impeachment com os quais controlava a temperatura de sua fritura. Dilma mentiu ao dizer que não tentara qualquer barganha. Cunha mentiu de novo ao dizer que não chantageara ninguém. E o ministro Jaques Wagner extrapolou, multiplicando mentiras para negar fatos e corroborar mentiras de outros.

Dilma, que depois de mentir para se eleger agora mente para se manter no cargo, foi a primeira vítima de suas próprias mentiras. Sua popularidade desabou exatamente quando o bolso vazio, a inflação e o desemprego crescente escancararam que sua campanha tinha ludibriado o eleitor.

A insistência na mentira – mantendo o “não sabia” frente aos escândalos na Petrobras mesmo tendo sido ministra do ex Lula na área e presidente do conselho da estatal - corroeu o restinho de credibilidade que detinha. Sobrou pouco ou quase nada.

Contra o impeachment, Dilma tenta apoiar-se em dois pilares: sua honestidade e a defesa da democracia, argumento que frequenta todas as bocas petistas.

Quanto ao primeiro, Dilma parece não entender – ou não entende mesmo – que ser honesto não é só não roubar para si própria. É também não mentir, não burlar, não fingir que não sabe o que todos sabem que ela sabe.

Na outra vertente, o PT, Lula e Dilma tentam confundir a opinião pública com a ideia de um golpe iminente, fantasiando clima similar ao dos anos de chumbo. Querem fazer crer que a democracia pressupõe a permanência do eleito no cargo, ainda que o eleito tenha incorrido em algum tipo de crime.

Vão além da mentira. Atentam contra a democracia ao desrespeitarem a Constituição que prevê o impedimento de eleitos. A mesma Constituição utilizada para impedir Fernando Collor de Mello, que, na época, teve o PT como protagonista.

Mas a mentira concorreu em igualdade de condições com a chantagem e a barganha nestes primeiros dias depois do início do trâmite do impeachment. Todos – Cunha, Lula, Dilma e o PT – juraram não participar de um jogo que o país inteiro sabia que estava sendo jogado, no qual eles davam as cartas.

Cada um mentiu a seu bel prazer e corroborou para a mentira coletiva.

#Fora Dilma, #Fora Cunha.

Mary Zaidan

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