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sexta-feira, novembro 06, 2015

A incompetência de um Governo que nos desrespeita


Contando, ninguém acredita. Mas é fato. O Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que desde o fim do ano passado o que mais faz é viajar para lá e para cá, com aquele seu ar manso e pacato, está sendo capaz de uma maldade quase que do tamanho do buraco onde o Brasil se encontra.

Ele sugeriu à Imprensa que saia pelas ruas a indagar o que as pessoas comuns acham da CPMF. Não sua inacreditável opinião, a maioria não saberá do que se trata e, portanto, a CPMF é o imposto ideal, já que o infeliz irá pagá-lo sem nem ao menos saber do que se trata!

Está subentendido o que ele pensa de nós. Não é muito diferente do que eu penso dele, só que ele tem poder e eu não. Se eu tivesse a sua caneta em minhas mãos, um Ministro da Fazenda teria que responder com seus bens pessoais a cada vez que desse um passo que tornasse os brasileiros mais pobres.

Honni soit qui mal y pense, mas vou baixar o nível para dizer que creio que pensariam dez vezes antes de sugerir impostos, taxas e tributos a um povo tão mal fotu et mal payé.

Somos desrespeitados diariamente, essa é que é a verdade. O caso da emissão da guia para cumprir as obrigações em relação ao FGTS dos empregados domésticos é exemplar da arrogância e incompetência com que somos tratados.

De cara, quem se dispôs a cumprir as exigências do governo viu que o negócio não ia funcionar. Reclamações era o que mais se ouvia ou lia. Tão fortes e insistentes que chegaram aos ouvidos geralmente moucos das autoridades. O que fez a autoridade responsável pelo descalabro que, é bom que se diga, custou R$6,6 milhões ao nosso bolso? Mandou suspender o sistema até que fosse reparado ou ordenou que se ampliasse o prazo para o recolhimento da obrigação?

Não, imagina! Isso seria dar uma de fraco. Ele o que fez foi dizer, do alto de seu trono: "'continuem tentando; tentem fora do horário de pico. O prazo não será dilatado, nem a multa perdoada..." (Mas o malfeito não vingou: o prazo foi adiado).

Por falar nesse fiasco, onde está a lei que obriga os cidadãos a ter um computador e a estar conectados à Internet?

São tantos os outros episódios que nos humilham que fico em dúvida quais citar. A escolha é difícil.

Tem o caso da juíza Célia Regina Ody Bernardes, que autorizou busca e apreensão na sede de três empresas de Luis Cláudio Lula da Silva, um dos filhos do ex-presidente Lula, na semana passada. Ela estava à frente da 21ª Vara Cível e foi transferida para a 10ª Vara Federal em setembro, o que foi festejado por alguns procuradores e delegados que vinham pedindo um “padrão Sergio Moro” para as decisões judiciais em Brasília.

Numa tremenda coincidência, ontem o juiz que foi da 10ª Vara Federal, que estava no STJ, foi mandado de volta para seu antigo posto e a juíza Célia Regina foi transferida de volta para a 21ª Vara Cível. Durou pouco a alegria de quem queria um padrão mais alto na Justiça Federal da Capital...

Temos ainda muitos episódios no horizonte, não dá para comentar todos. Cito alguns: a brava comissão de ética (ou de ‘estica’, na genial charge de Chico Caruso publicada ontem em O Globo) que vai julgar o presidente da Câmara, o homem que não mente; a regulamentação da lei sobre novas regras para direito de resposta na Imprensa, regras que seriam absurdas em qualquer país, mas que aqui, ao que parece, são pelo menos sonhadas; e afinal, o Governo vai ou não vai ter votos para aprovar o que quer e impedir o que não quer?

Daqui até 2018, são muitos dias. Dá para pedalar à beça. Pedalemos, pois.

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

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