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quarta-feira, outubro 21, 2015

Enquanto Dilma e Eduardo lutam por seus mandatos, o país desce a ladeira


A Eduardo Cunha, só resta fazer duas coisas para ganhar alguma sobrevida: segurar qualquer pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e repetir até ficar rouco que não tem e que jamais teve contas bancárias fora do país.

Há uma terceira coisa que ele poderá fazer: atrasar seu julgamento no Conselho de Ética da Câmara. E isso ele já começou a fazer, com êxito.

Se em algum momento ele admitisse, mesmo de forma indireta, que teve, sim, contas lá fora, acabaria abandonado de vez pelos que ainda permanecem ao seu lado.

Então mesmo contra todas as evidências, seguirá mentindo sobre as contas. É possível que mais tarde se agarre ao argumento – pobre argumento! – de que foi beneficiado em contas, mas que elas jamais estiveram em seu nome.

Quanto ao impeachment: a oposição precisa dele para derrubar Dilma. E o governo precisa dele para que não derrube e facilite a aprovação na Câmara de matérias do seu interesse.

O horizonte de Eduardo, hoje, é logo ali. Caso não seja cassado até dezembro, começará o próximo ano no cargo. A cada dia sua agonia. Algo muito parecido se passa com Dilma.

Ela também não pode pensar no longo prazo, só no curto. Se o processo de impeachment dela for aberto na Câmara, o ronco das ruas poderá empurrá-lo para frente e selar sua sorte.

Renan Calheiros, presidente do Senado, tentou ajudar Dilma a respirar melhor. Chegou a anunciar que lhe daria um prazo de 45 dias para se defender da acusação de que cometeu “pedaladas fiscais” em 2014.

Só em seguida remeteria para a Comissão Mista de Orçamento a recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) que recomenda a rejeição das contas do governo de 2014.

Foi uma chiadeira só na Câmara e no Senado contra o anúncio feito por Renan, e ele deu o dito pelo não dito.

De todo modo, a recomendação do TCU deverá ficar para ser votada pelo Congresso a partir de fevereiro próximo.

Enquanto Eduardo e Dilma lutam por seus mandatos, o país sangra.

A inflação se aproxima perigosamente da casa dos 10% ao ano.

O Banco Central não tem muito a fazer, a não ser manter a taxa de juros onde está.

Joaquim Levy tenta segurar-se no Ministério da Fazenda.

E a base de apoio do governo no Congresso só finge apoiá-lo. Aproveita-se de sua fraqueza para extorqui-lo.

NOBLAT

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