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segunda-feira, abril 13, 2015

Das redes para as ruas e vice-versa


Manifestações, protestos e panelaços estão de volta mostrando que as épicas jornadas que levaram multidões às ruas em 2013 não foram passageiras. São um fogo cuja chama pode brilhar cada vez mais alto.

Os protestos que reuniram mais de dois milhões de pessoas no último 15 de março mostram que os black blocs e seu vandalismo não foram capazes de dar fim às manifestações massivas. Do ponto de vista do período histórico, ainda estamos vivendo o ano de 2013; ele não se acabou e nem cessaram os fenômenos que levaram milhões de brasileiros, a maioria jovens, a protestar, ainda que de forma difusa, contra a baixa qualidade dos serviços públicos, a corrupção, e a forma de se fazer política que cria muralhas entre governantes, partidos, instituições e o o povo.

Ao contrário. Esses fatores só se agravaram nos últimos dois anos. Aliados a eles, a crise econômica e a desfaçatez recrudesceram. Agora são famílias inteiras, de todas as classes sociais e nas mais diversas regiões do país, a protestar.

De lá para cá as pessoas, principalmente a juventude, não deixaram de fazer política à sua maneira.

Surgiram coletivos no país inteiro, motivados por questões tangíveis, transversais, como a ocupação e defesa dos espaços urbanos, a valorização da cultura, o enfrentamento das questões da violência e da discriminação.

E nunca se fez tanta política nas redes sociais como nesses tempos. No mundo moderno, o da conectividade, as coisas são assim mesmo. As pessoas saem das redes para a rua e das ruas para as redes. Há o timing da militância presencial e o da militância virtual.

Se essa participação, cada vez mais horizontal, flexível e de militância híbrida, não transbordou para a vida institucional deveu-se menos à despolitização de seus participantes. A fossilização da política institucional e escândalos como os da Petrobras tem um efeito corrosivo imenso.

Afastam o jovem e o cidadão comum dos partidos políticos e das instituições, geram repulsas na alma.

Ainda assim, as jornadas de 2013 invadiram as eleições de 2014, sobretudo no segundo turno da disputa presidencial.

Há uma relação entre aquelas manifestações e o desejo de mudança expresso nas urnas. Este sentimento foi compartilhado também por parte do eleitorado de Dilma. Se ele acreditou que a candidata era o caminho da mudança, são outros quinhentos. Certamente está agora amargamente arrependido e com um sentimento enorme de ter sido traído.

Fazia anos que a militância não se envolvia tanto numa disputa eleitoral. No caso do PSDB, nunca tantos jovens estiveram ao seu lado como no segundo turno da campanha de Aécio Neves. Marina Silva e sua Rede bem como Eduardo Campos do PSB também arrebataram multidões. Difícil achar que isto não teve a ver com as manifestações de junho de 2013. E que estão desvinculadas das que vemos agora em 2015.

Os brasileiros mandaram um recado claro para quem fez campanha com um discurso e governa por outro. A internet, a conectividade, as redes sociais são cruéis. Ai do político sem transparência. Ai de quem muda de discurso como quem muda de camisa, ao sabor da ocasião.

Os milhões que foram as ruas no último dia 15 de março e que se preparam para reocupá-las no próximo domingo - novamente de forma pacífica, sem cair nas provocações de quem quer violência e confronto - que o digam.


Hubert Alquéres Hubert Alquéres

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