domingo, outubro 12, 2014

Dilma enlouqueceu e agora chama democracia de “golpe”. Isso era pensamento da terrorista da VAR-Palmares, não de quem se fez presidente pelas urnas


“Os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem destruir.”

Em latim: “Quos volunt di perdere dementant prius”.

A citação no singular é mais conhecida: “Quem vult deus perdere dementat prius” — “Deus primeiro enlouquece aquele a quem quer destruir”.

Prefiro a citação com “deuses”.

O problema de “deus”, no singular, é que a frase parece remeter ao Deus único, este nosso (ou meu, hehe), não àqueles vários do paganismo, que viviam atazanando os homens.

É o que me ocorre ao tomar conhecimento do que Dilma afirmou nesta sexta.

Ela pode estar perdendo o juízo.

Leiam o que afirmou:

Numa caminhada na periferia de Porto Alegre, discursando sobre uma caminhonete, ela se saiu com a seguinte estupidez:

“Eles [oposição] jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime terrível que é o crime da corrupção. Agora, na véspera eleitoral, sempre querem dar um golpe. E estão dando um golpe. Esse golpe nós não podemos concordar”. 

Golpe? Que golpe?

O golpe das urnas, presidente?

Haver quem não vote no PT, então, agora é golpe?

Uma eleição só é legítima quando vencida pelo PT?

Se o seu partido perder, dona Dilma, será porque a maioria terá votado no seu adversário.

Será, então, sinal, governanta, de que a maioria do eleitorado terá se transformado em golpista?

A fala é de uma estupefaciente irresponsabilidade.

Até porque Dilma, que continua presidente da República, está afirmando, na prática, que, se ela perder a eleição, então o resultado não é legítimo.

Se não é, então o PT poderá sair por aí botando fogo no circo.

Golpista é a fala da petista!

Eles já recorreram a esse expediente em 2006.

Essa tese tem “copyright”, tem autoria: Marilena Chaui, a militante do PT disfarçada de filósofa.

Foi ela quem procurou dar alcance até acadêmico a essa vigarice naquele ano.

Segundo essa senhora, denunciar o mensalão correspondia, imaginem vocês, a dar um golpe.

Agora, para mostrar que somos legalistas, deveríamos todos nos calar diante do “petrolão”???

Sabem o que é isso? Sinal de desespero.

Em dois dias, é o segundo golpe baixo — o primeiro é tentar fazer de FHC um inimigo dos nordestinos.

Imaginem o que vem por aí. Dilma está se esquecendo de que ainda é presidente da República e que tal cargo lhe impõe uma especial responsabilidade.

Democracia como golpe, presidente?

Esse pensamento ficava bem na terrorista da VAR-Palmares, não na pessoa que se elegeu por meio das urnas, as mesmas que, no momento, dão a vitória a seu adversário.

Até que Dilma não comece a sentir vergonha do que disse, sentirei um pouquinho por ela, a tal vergonha alheia.

Por Reinaldo Azevedo - VEJA

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