
Em suas investidas pessoais e profissionais na internet, a jornalista carioca Helena Duncan percebeu que pessoas e empresas estão perdidas dentro de um meio tão novo tão e rápido.
Começou a refletir sobre o assunto em seu dia-a-dia e, em junho deste ano, lançou o projeto Etiqueta na Web.
Helena falou ao Mulher 7×7:
Qual foi o minuto em que te deu o clic sobre a necessidade de se discutir o comportamento na web? Algum caso pessoal?
Desde que comecei a me dedicar mais às redes sociais. Tanto pessoalmente quanto profissionalmente eu pesquiso sobre comportamento na internet. Nunca encontrei nada que me satisfizesse.
Sempre achei os sites que falam sobre comportamento, etiqueta e afins muito vagos, sem personalidade, sem embasamento ou assinatura de uma pessoa que eu confiasse, pelo menos no Brasil. Acho que as pessoas e empresas estão perdidas porque é tudo muito novo e muito veloz. Comecei a coletar histórias em 2010 e iniciar uma pesquisa informal.
Como tenho uma agência de PR e conteúdo, o assunto é recorrente e faz parte do meu dia-a-dia em função do trabalho que desenvolvemos pra clientes. Mas pensei que não devia me ater a desenvolver material corporativo, e sim jogar a reflexão para um ambiente mais público e democrático.
Uma vez, já com isso na cabeça e muito irritada com uma pessoa (desconhecida) que eu tinha parado de seguir no twitter e veio me cobrar isso de maneira surreal, eu tuitei: “quero desenvolver um manual de etiqueta na web”.
Um amigo meu, o Márcio Debellian, me ligou e disse: “você tem que fazer isso mesmo, vá em frente porque você tem propriedade pra desenvolver um projeto destes e isso falta no mercado.” Muito tempo se passou até que eu lançasse, em junho deste ano, o blog etiquetanaweb.com , a página no Facebook e a conta no Twitter ).
Você acha que é mais difícil se comportar bem na web do que na vida real?
As pessoas tendem a se soltar mais na internet porque estão supostamente protegidas pelo computador e até por um possível anonimato, mas eu acredito muito que os códigos de educação, bom senso e ética são os mesmos que nos regem, ou deveriam nos reger on e offline.
Sempre penso que uma pessoa não chega conversando direto com você na vida real sem te cumprimentar, sem perguntar se você pode falar, por que chegar na internet te cutucando (literalmente), ou introduzindo assuntos sem perguntar se você tem tempo? Por causa do status online? Tem gente que nem percebe se está verde, ou vermelho. A aparente disponibilidade de todos e o fácil acesso pode confundir na internet sim. Acho que fica mais fácil escorregar, mas é temerário.
Quais são as situações em que as pessoas têm mais dúvidas sobre etiqueta na web?
Difícil, de uma hora pra outra, todo mundo aprender a se comportar como pessoa pública, né? Antes era bem definido que havia a vida das pessoas famosas e a nossa vida, agora todos somos passíveis de sermos “famosos”, mesmo que de forma negativa.
As maiores dúvidas são de relacionamento com pessoas ligadas à vida profissional, exemplos: adiciono meu chefe? Aceito um cliente que me adicionou? Publico fotos muito pessoais com gente do trabalho vendo? Minha empresa tem o direito de me controlar e estabelecer regras pro meu comportamento nas redes? Excluo meu amigo chato? Posso marcar meu amigo na foto? Estes são alguns dos mais clássicos.
Existe alguma situação sobre a qual VOCÊ, mesmo “estudiosa” do assunto, nunca conseguiu chegar a algum conclusão?
Muitas vezes acho que temos, todos, dois pesos e duas medidas para as situações que são do nosso interesse na internet.
Ainda não consegui estabelecer, por exemplo, uma política rígida para o meu perfil pessoal no Facebook. Eu estabeleci que não adiciono pessoas que não conheço pessoalmente Facebook, mas volta e meia em função de uma empatia online, ou de alguma situação eu abro exceções. Aí fico sem saber se deveria logo aceitar a todos, ou limar os que não conheço de fato. É complicado, as redes sociais têm uma função muito clara de entretenimento, as estatísticas mostram isso.
Se tivesse que fazer uma tábua dos 10 mandamentos da etiqueta na web, como seria?
Não seria uma tábua e nem seriam mandamentos, com certeza (risos). O Etiqueta é um projeto contemporâneo, de internet, portanto está sempre aberto a reflexões, mudanças, novas redes, novos conteúdos. Mas, eu posso dar algumas dicas no presente momento, que sei que interferem na vida de muitos!
- As redes sociais existem para nossa diversão, informação e serviço, cuidado pra não se estressar, ou virar escravo delas.
- Não mande e-mails pra muita gente com cópia aberta, preserve seus amigos.
- Pense muitas vezes antes de encaminhar correntes, piadas ou e-mails com conteúdo longo e pesado pra muita gente. Reflita se gostaria de receber antes de apertar o send.
- Não marque seus amigos no Facebook em fotos sem consultá-los antes. Você pode estar linda, mas sua amiga se achando péssima, não cabe a você decidir o que tornar público pela outra pessoa.
- Responda seus e-mails todos, mesmo que explicando que responderá com calma mais tarde, aponte ao menos o recebimento. Nada pior do que deixar as pessoas no “vácuo”. (marcar como mensagem não lida ajuda a lembrar!)
- Se você está numa rede social como o Instagram cuidado pra se empolgar muito e postar 10 fotos no mesmo momento, da mesma situação. É divertido, mas as pessoas que te seguem não querem ver fotos só de uma pessoa, mas de várias, pode cansar.
- Quando for postar frases sábias de autores como Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Fernando Pessoa, entre outros, no mínimo, apure se são mesmo de autoria deles, a maioria é mentira. Será que é legal mesmo seguir essa linha de posts?
- Não saia falando com alguém que mal se conectou sem perguntar se a pessoa está disponível, deixe a pessoa se atualizar antes de abordá-la.
- Twitter não é Google Talk, se a conversa se estender, passe pra um ambiente reservado.
- Não considere as pessoas que são parte do seu relacionamento online suas amigas íntimas. Cada um encara a internet de uma maneira, há pessoas que podem nem te reconhecer pessoalmente e não há mal nisso.
Mulher 7×7 - ÉPOCA
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