
© Célia Jardim
Despida vive minha alma
livre de qualquer veste
sou em tudo transparente
ainda que nada mais me reste
Visto-me de sentimentos
cubro-me com a transparência do amor
assim minha alma terá sempre
a pureza e a leveza de uma flor
Nada faço que me envergonhe
quero da vida a verdade
uma verdade sempre a mostra
sem nenhuma falsidade
Sou agasalho de mim mesma
sem máscaras, sem panos
ainda que padeça por isto
não cometerei desenganos
Vivo conforme meus princípios
não comungo a falsa verdade
nasci nua e assim permaneço
nua desejo voltar pra eternidade

©Letícia Thompson
Comparo o passado às folhas do outono, belas, cheias de nostalgia, mas vividas. Tiveram seu tempo de frescor, encanto, mas soltaram-se e foram levadas pelo vento.
Todos nós tivemos um passado. E cada qual gosta de guardar o seu, principalmente aquele ou aqueles que marcaram a vida, deixaram cicatrizes na alma e para o qual olhamos de vez em quando com ternura.
O que não gostamos mesmo é de saber que a pessoa que amamos teve um passado amoroso. Difícil imaginar que os lábios que nos juram amor fizeram outras juras, que os braços que nos enlaçam guardaram outro corpo dentro de si, que os carinhos e batidas do coração tiveram como objetivo outra pessoa...
Ai!... Como se desprender da idéia de que não somos únicos no mundo? Como aceitar que existam sombras que acompanham e acompanharão para sempre essa outra parte que de forma egoísta e bela julgamos nossa, só nossa?!
Queríamos que os carinhos que são a nós fossem só nossos, que pelo menos para a pessoa amada a palavra "único" tenha nosso rosto.
Mas as folhas do outono vêm de diversas árvores e quando olhamos para trás, vemos que temos também nossa sombra, que nos acompanha com fidelidade.
Achamos que isso é menos importante, porque a dor no peito do outro não nos incomoda tanto, porque nos cegamos ao que ele pode sentir e ressentir. Porém nossas almas são sensivelmente iguais e é só ter um pouco de atenção para saber o que se passa em outro coração.
Nos ententendo, entendemos a outra parte. Amadurecemos para o presente e para o futuro que virá e com os frutos que virão, mesmo se outras folhas cobriram nosso caminho lá atrás.
Amar é também aceitar o outro com todas as suas marcas, suas cargas, suas sombras... e seguir em frente!
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