
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.
Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo."
Pablo Neruda
Eu te perdôo pelo mal que me fizeste,
Pelas palavras ditas sem pensar.
Eu te perdôo porque em meu lugar
Em tua vida nunca tu estiveste.
Eu te perdôo pela cicatriz
Que tu deixaste ao atingir-me a alma.
Eu te perdôo por não ler na palma
Da minha mão o quanto fui feliz.
Feliz num tempo em que apostei em ti
Tão cegamente que não percebi
Quanto da vida eu pus a se perder.
Eu te perdôo, sim, porque morreste
No coração - onde tu já estiveste -
Que nunca mais há de te receber.
Silvia Schmidt
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