
Não tenhas nada nas mãos nem uma memória na alma,
que quando te puseremnas mãos o óbolo último,
ao abrirem-te as mãos nada te cairá.
Que trono te querem darque átropos to não tire?
Que louros que não fanemnos arbítrios de minos?
Que horas que te não tornemda estatura da sombra.
Que serás quando fores
na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
das mãos mal as olhaste.
Senta-te ao sol.
Abdicae...
sê rei de ti próprio.
*Fernando Pessoa*

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