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quarta-feira, maio 11, 2016

PARTIDA


E meu trem partiu.

Foi naquele momento, exatamente, que ele partiu.

Tremeu, apitou e, gemendo,

sumiu entre névoa que ficou na noite,

ao redor de tudo.

Partiu sozinho como eu,

num trilho infinito, tremendo, aflito, já bem longe,

deixando apenas a névoa.

Contornos imprecisos de uma cor acinzentada,

lentamente se apagando.

Na estação, dentro da noite,

não ficaram acenos, nem lágrimas;

talvez uma recordação,

talvez nem isso.

Mas, submisso,

preso ao trilho de seu destino,

foi que meu trem partiu.

Ninguém viu nem compreendeu

que ele partia definitivamente.


Victor Motta

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