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terça-feira, janeiro 12, 2016

Quando eu "quase" tenho certeza


Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente?

Melhor interromper o processo em meio:

quando se conhece o fim,

quando se sabe que doerá muito mais

-por que ir em frente?

Não há sentido:

melhor escapar deixando uma lembrança qualquer,

lenço esquecido numa gaveta,

camisa jogada na cadeira,

uma fotografia

– qualquer coisa que depois de muito tempo

a gente possa olhar e sorrir,

mesmo sem saber por quê.

Melhor do que não sobrar nada,

e que esse nada seja áspero

como um tempo perdido.

Eu prefiro viver a ilusão do quase,

quando estou "quase" certa que

desistindo naquele momento

vou levar comigo uma coisa bonita.

Quando eu "quase" tenho certeza

que insistir naquilo vai me fazer sofrer,

que insistir em algo ou alguém

pode não terminar da melhor maneira,

que pode não ser do jeito

que eu queria que fosse,

eu jogo tudo pro alto,

sem arrependimentos futuros!

Eu prefiro viver com a incerteza

de poder ter dado certo,

que com a certeza de ter acabado em dor.

Talvez loucura, medo,

eu diria covardia,

loucura quem sabe!

Caio Fernando Abreu

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