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sexta-feira, outubro 23, 2015

Em Libras e Reais


Não sei se vocês ficaram tão irritados quanto eu ao ler o excelente artigo de José Casado para O Globo.

O título do artigo fala por si: “Dilma custa aos brasileiros o dobro da rainha Elizabeth II para os britânicos”.

Estamos com uma imensa taxa de inadimplência, alto desemprego, inflação ameaçadora, a maioria apertando o cinto e atormentada com a falta de dinheiro e com a dureza de um cotidiano sofrido.

E aí leio sobre o nababesco cotidiano de dona Dilma que nos custa R$ 390,3 milhões anuais: dos detalhes dos uniformes dos serviçais ao cardápio do AeroLula, tudo é bastante ridículo, típico de nouveaux riches.

Ultrapassam os gastos da Monarquia britânica que chegaram a R$ 196,3 milhões, segundo relatório anual da Casa Real (cotação da libra em agosto de 2015). A Monarquia inclui Elizabeth II e sua família, marido, filhos, noras, genros, netos e os primos e sobrinhos descendentes de seus tios, irmãos de seu pai, o rei George VI.

. Os mal informados acham que Elizabeth passa seus dias sentada no Trono Real, experimentando chapéus, comendo bombons de chocolate e tomando chá. Bem informados, saberiam que nada é mais distante da realidade.

No site oficial da Monarquia Britânica veriam que Elizabeth II vale quanto pesa.

A Rainha tem dois papeis essenciais: Chefe de Estado e Chefe da Nação.

Cabe à Rainha cumprir os deveres oficiais e cerimoniais de Chefe de Estado, inclusive representar a Grã-Bretanha diante do resto do mundo. Apesar de se manter estritamente neutra no que diz respeito a assuntos políticos, sem poder votar ou se candidatar, Elizabeth II tem um papel importante no Governo do Reino Unido. Além de abrir os trabalhos no Parlamento no início do ano legislativo, de conceder o “de acordo real” às novas legislações, é ela quem aprova Ordens e Proclamações através do Conselho Privado.

Os partidos políticos mudam constantemente, mas a Soberana permanece como Chefe do Estado o que provê um quadro estável para que o Governo possa introduzir reformas de largo espectro.

Com mais de seis décadas dedicadas à leitura de documentos oficiais, de encontros com Chefes de Estado e embaixadores, e mantendo uma audiência semanal com seu Primeiro-Ministro, Elizabeth II é uma fonte inestimável de conhecimento na qual seus sucessivos primeiros- ministros se valem para melhor governar.

Em seu longo reinado, Elizabeth II já tratou com doze primeiros-ministros, de Winston Churchill a David Cameron. Nessas audiências não há testemunhas, são só os dois e nunca se ouviu falar de um vazamento!

Antes da apresentação do Orçamento Anual, o Ministro da Fazenda também é recebido pela Rainha, com a qual discute o Orçamento.

Como Chefe da Nação, seu papel é menos formal, mas não menos importante. Ela simboliza o coração da identidade nacional, de sua unidade e orgulho; fornece a sensação de estabilidade e continuidade que a Nação necessita.

São tantos os seus afazeres que sem a colaboração de sua família ela não poderia atender a todos: eles comparecem a mais de dois mil compromissos anuais oficiais no Reino Unido ou em outras partes do mundo. Ainda mais sem avião exclusivo, único país do G20 nessa situação.

Evidentemente, sem o auxílio de sua família, isso seria impossível para a Rainha.

Além disso, Elizabeth II é a Chefe da Igreja Anglicana, a ‘Defensora da Fé’ e é ela quem preside o Sínodo da sua Igreja.

Vocês ainda acham que eles custam caro ao Reino Unido? Então vejam o que diz o Departamento do Turismo Britânico: a Família Real gera uma receita de perto de U$767 milhões de dólares para o Tesouro, fruto dos milhões de turistas que visitam as Ilhas Britânicas. O turismo é a terceira maior indústria britânica, oferecendo 2.6 milhões de postos de trabalho.

E eles não se furtam em dizer que apesar das inúmeras atrações do Reino Unido, a linda paisagem, castelos, museus, monumentos e igrejas, o rico comércio, estão seguros que, sem a Família Real, o turismo seria bem menos intenso.

A Família Real Britânica, com toda a sua pompa, é o mais próximo que se pode chegar de um conto de fadas e o mundo ainda não se cansou de histórias de príncipes, princesas e bruxas malvadas.

Quer dizer, depende da bruxa...

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

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