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domingo, setembro 06, 2015

Um desfile de mentiras


Sem ter o que dizer, a presidente Dilma Rousseff não deverá se pronunciar em cadeia de rádio e TV nas comemorações da Independência. Se confirmada, a atitude inédita será bem-vinda. Poupará paciência e panelas.

Desde 2011, Dilma aproveita a data para, em horário nobre, despejar sobre os brasileiros autoelogios e uma imensa quantidade de mentiras. Revisitar esses pronunciamentos é didático. Cada frase em tom ufanista comprova o verdadeiro caráter (ou a falta de) de seu governo.

No pronunciamento do primeiro ano de mandato, a presidente alardeou o fato de o Brasil não ter sucumbido diante da crise internacional que represou o crescimento mundial. Com todas as letras, disse que o país tinha “muito espaço para crescer” e o povo brasileiro “motivos de sobra para ter esperança em um futuro melhor”.

Fez ainda um sem número de promessas que não seriam cumpridas nas áreas de Educação e Saúde. Assegurou que reforçaria as fronteiras para impedir a entrada de drogas e apresentou programas revolucionários para viciados: enfermarias especializadas e consultórios de rua para garantir “alternativas de atenção e cuidado, 24 horas por dia, em todo o Brasil”. Tudo balela.

Com a aprovação de seu governo batendo na casa de 64% de ótimo e bom, no ano seguinte Dilma usou a cadeia de rádio e televisão para rasgar loas ao modelo econômico implantado pelos governos petistas. E abusou do ludibrio: “Ao contrário de outros países, o Brasil criou, nos últimos anos, um modelo de desenvolvimento inédito, baseado no crescimento com estabilidade, no equilíbrio fiscal e na distribuição de renda.”

Foi ainda mais ousada. Faltando menos de um mês para as eleições municipais que levariam o PT à vitória em São Paulo e Belo Horizonte, anunciou que reduziria as tarifas de energia a partir de 2013. Deu no que deu. Hoje, além da desordem que impera no setor, as contas de luz estão 75% mais caras.

O 7 de Setembro de 2013 foi o da multiplicação de pactos. Acuada pelas manifestações de junho que derrubaram sua aprovação para 30%, e, pior ainda, elevaram a rejeição para 25%, segundo o Datafolha, Dilma lançou o papo de tudo pelo bem do Brasil – algo semelhante à lengalenga que se ouve hoje. Chegou a dizer que o governo deveria ter “humildade e autocrítica para admitir que existe um Brasil com problemas urgentes a vencer”.

Como soberba é doença incurável, apenas concedeu à população “o direito de se indignar com o que existe de errado”.

Mas nada se compara ao ano passado. Na mentira e na desfaçatez.

No auge da campanha, Dilma dedicou todo o programa eleitoral do dia 6 de setembro para desconstruir Marina Silva, que ameaçava a liderança da candidata petista. E o fez sem qualquer pudor.

O tema era o pré-sal que Marina Silva, em seu programa de governo, ousou afirmar que revisaria. Na TV, Dilma diz que a opositora acabaria com os royalties carimbados para a educação. E com a criação Lula-Dilma do “conteúdo nacional” na fabricação de navios e sondas, estímulo decisivo à competitividade e à geração de empregos.

Está aí a Lava-Jato a comprovar que, de fato, a aventura nacionalista garantiu milhões para uns e centavo algum para as salas de aula.

Nesta segunda-feira, Dilma presidirá o desfile do 7 de Setembro em Brasília. Para que possa aparecer a céu aberto, a Esplanada dos Ministérios será transformada em recinto fechado. O público só será bem-vindo depois de revista que confiscará faixas, bandeiras e bonecos-pixulecos.

Exibem-se assim os efeitos da rejeição recorde de 71% dos brasileiros e o conceito muito particular que Dilma e os seus têm de independência.

Mary Zaidan

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