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terça-feira, setembro 29, 2015

O Papa é deboista


Se tem uma pessoa que pratica o Deboísmo nos dias de hoje é o papa Francisco. Danado esse Papa argentino. Sorrindo, sorrindo ele vai dando recados endereçados a todos e sem ferir susceptibilidades, inclusive na sua turma – a Igreja Católica e todas as suas alas e vertentes. O Papa manda bem e de buenas.

Pra quem ainda não sabe o Deboismo nasceu, cresce e se espalha pela Internet. E diz respeito, particularmente, a onda de ódios e violência escrita, gravada e desenhada que ficou explícita na convivência nada social das redes sociais.

Enquanto a gente reclamava do raivoso mau humor destilado em grossura nos Facebooks da vida, lá em Goiás, a dupla Carlos Abelardo e Laryssa de Freitas tomou atitude. Vamos ser de boa, gente! É proposta de vida, de encarar desafios e desatinos com calma, respeito e em paz. Colou. Mobilizou, ganhou fama e seguidores – milhares.

Oba! Nem o Papa, nem nós, os de boa, estamos tão sozinhos assim. Felizmente.

Bom humor, descontração e paciência com contrários e opiniões alheias – as bem diferentes e ou/distantes das nossas, em particular – são requisitos básicos para a prática do Deboísmo, essa quase filosofia que é também uma forma de resistência ao azedismos geral vigente, devidamente misturado com conservadorismo, ignorância e reacionarismo. Com todo respeito. E de boa.

O Bicho Preguiça é o mascote/símbolo do Deboísmo. Não pela preguiça, mas pela calma e paciência. Aliás, o Preguiça não é preguiçoso. É lento. O que é boa antítese a esses tempos tão acelerados. Ele dorme de 14 a 18 horas por dia. Mesmo acordado, fica horas sem se mexer. Ô benção.

Primo do Tatu e do Tamanduá, o bicho relax das Américas Sul e Central, só é comido por onça e cobra. Vive no alto e abraçado. É herbívoro. Bebe orvalho. Só desce das árvores pra fazer suas necessidades, que jamais deixa de enterrar. Ou seja, educado. Não deixa cocô exposto, nem rastro dele.(No modelo Preguiça não ia nem rolar Operação Lava Jato, com sujeirama cheia de rastros...)

O Preguiça é tão de buenas que abriga algas verdes na sua pele para que borboletas ponham ovos ali. Muito do bem, vai?

Ou seja, o deboísmo é paz, amor e desaceleração pura. É o nem vem que não tem! Será o avesso de tentar ser feliz comprando, tendo cada vez mais e querendo mais ainda. Isso ai, hora dessas, não será mais de boa. Adios, haters.

O Papa Francisco, que anda de carro velho, não sabe ainda, mas ele é deboista. Lá nos EUA, criticou os órgãos financeiros internacionais – esses que não têm nacionalidade, nem bandeira, mas mamam e sugam até a última gota nos quatro cantos da terra – e o uso indiscriminado do planeta, que prejudica a natureza e os mais pobres.

Epa! Falou em pobre é comunista, socialista no mínimo. Isso ainda arrepia certa multidão de... De que, mesmo? ... Pois o Papa, rindo, rebateu: “Se eu sou socialista, Jesus também era”. E Jesus nem o pastor Feliciano contesta.

Francisco também abriu o bocão contra o fundamentalismo religioso, cobrou proteção às pessoas mais vulneráveis, pediu o fim da hostilidade contra imigrantes. Sorrindo sempre, não livrou a cara nem de seus pares, lembrou com todas as letras os abusos de crianças praticados por homens de batina da Igreja Católica americana. “Deus chora pelo abuso sexual de crianças”. ...

Pediu perdão aos abusados e prometeu: “Todos os responsáveis por abusos serão responsabilizados”. (Com o nada piedoso silêncio de bispos, por anos e anos, e até 2012, estima-se que 100 mil crianças norte-americanas tenham sido vítimas de abuso sexual por sacerdotes).

Em Cuba, sem cerimônia, Francisco louvou a resistência dos cristãos, obrigados a viver por anos sob a proibição de manifestações religiosas, que vigorava na Ilha. E, de buenas, não deixou de estender a mão de benção ao velho ex-ditador Fidel. Deboista puro.

O Papa ajuda a ressuscitar grandeza, respeito, paz e amor. O deboísmo reza essa reza.

Tânia Fusco

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