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segunda-feira, setembro 14, 2015

Há coisas que estão além das palavras.


Pois eu desejaria saber ensinar a solidariedade a quem nada sabe sobre ela.

O mundo seria melhor.

Mas como ensiná-la?

Seria possível ensinar a beleza de uma sonata de Mozart a um surdo?

Como, se ele não ouve?

E poderei ensinar a beleza das telas de Monet a um cego?

De que pedagogia irei me valer para comunicar cores e formas a quem não vê?

Há coisas que não podem ser ensinadas.

Há coisas que estão além das palavras.

Os cientistas, os filósofos e os professores são aqueles que se dedicam a ensinar as coisas que podem ser ensinadas.

Coisas que são ensinadas são aquelas que podem ser ditas.

Sobre a solidariedade muitas coisas podem ser ditas.

Por exemplo: eu acho possível desenvolver uma psicologia da solidariedade.

Acho também possível desenvolver uma sociologia da solidariedade.

E, filosoficamente, uma ética da solidariedade…

Mas o saberes científicos e filosóficos da solidariedade não ensinam a solidariedade, da mesma forma como a crítica da música e da pintura não ensina às pessoas a beleza da música e da pintura.

 A solidariedade, como a beleza, é inefável – está além das palavras.


 Rubem Alves

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