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sexta-feira, setembro 18, 2015

Erro de pessoa (2)


Vocês já repararam que Lula e dona Dilma usam a mesma expressão quando se dirigem ao distinto público? Os dois iniciam suas perorações com um curioso “Quero dizer a vocês” em vez de só dizer e pronto, nós entenderíamos que era para nós que estavam dizendo fosse lá o que fosse.

Pois agora também eu quero dizer a vocês que tanto a presidente quanto o ex-presidente tudo fizeram para tornar o Estado brasileiro insuportavelmente pesado até para o gigante que recém acordou, a tal ponto que o gigante, coitado, mesmo quando se esforça, mal consegue se mexer.

Depois de fazer dele esse Frankenstein querem que ele arrisque uma travessia perigosíssima, como se fosse um atleta. Aliás, travessia é outra palavra que foi adotada pelos petistas e seus auxiliares. Todos falam na travessia em direção a um futuro que sempre prometem róseo, risonho e robusto.

Desde que me entendo por gente, e lá se vão muitas décadas, o futuro prometido ao gigante que nos carrega é lindo e maravilhoso. Passado um tempo, esquecem o que prometeram e saem buscando culpados pelo fracasso da viagem. Culpa que nunca recai sobre quem planejou a rota.

Só uma vez presenciei uma travessia exitosa, a do Plano Real. Infelizmente, o tempo não anda para trás e o gigante vai ter mesmo que dar um jeito de sacudir as engrenagens e se livrar do peso para poder nos defender.

Para mal de nossos pecados, que são muitos, o mapa de dona Dilma e sua trupe econômica só mostra um caminho: aumentar taxas, tarifas, tributos. Segundo os ministros da área econômica, o governo não tem um Plano B. Como a nos ameaçar: ou isso, ou isso.

Ao contrário da maioria da população, pois essa tem seu Plano B: trocar o comando por um que saiba como ajudar o gigante a se livrar de mais da metade do excesso de peso que carrega.

Volto a bater numa tecla que já acionei em 23 de outubro de 2009 em artigo intitulado Erro de Pessoa. No casamento, se caso com o João das Couves e depois descubro que ele na verdade é o Antonio dos Brócolis, houve um Erro Essencial de Pessoa que, uma vez comprovado, vai permitir a dissolução da sociedade conjugal. Por que na Sociedade Eleitoral, ao comprovar que me venderam um candidato mas empossaram outro, não posso ter meu voto de volta?

Votamos em A porque acreditamos que ele (a) faria o que foi prometido, aliás, garantido que faria. Se ele (a), depois, vira o disco e faz exatamente o contrário, por que cargas d´água não podemos alegar Erro Essencial de Pessoa e pedir nosso voto de volta?

Não me venham com a desculpa que isso é golpe. Não é. Golpe é quando nos enganam para poder se reeleger. Aí é golpe e golpe baixo.

O PT já foi fundamental no impeachment mais do que justo de Fernando Collor. Sobre esse momento, o Lula chegou a dizer que pedia a Deus que o brasileiro nunca mais se esquecesse dessa lição: que podia destituir o político uma vez comprovado que foi enganado durante a campanha.

Nos países onde esse instituto está na Constituição, como é o nosso caso, impeachment é um direito do povo desde que baseado em sólidas premissas. Dona Dilma devia pensar nisso em vez de sair pelo país a dizer que impeachment é a ‘versão moderna de golpe’.

Custo a crer que o governo não tenha um Plano B. Tanto é assim que depois do anúncio em que o ministro Levy usou como exemplos de mordidas pequenininhas da CPMF duas coisas que para ele devem ser fundamentais, a entrada do cinema e um sanduíche, já apareceram mais dois coelhos bem gordinhos na cartola: um bom bocado do Sistema S (talvez a melhor coisa que temos na área social) e a volta dos jogos de azar legalizados e, portanto, tributados.

Para mim, isso é que é versão moderna de golpe: as fortes emoções que teremos daqui para frente.

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

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