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terça-feira, agosto 04, 2015

Vontade de saudade


Eu já tive muita coisa.
Beijei algumas bocas, dormi com algumas pessoas.
Li algumas mensagens, respondi outras.
Essas coisas me fizeram bem enquanto existiam em mim.

Sempre fui do tipo de gente que, no começo, bradava aquele discurso tipo: “aff, mas precisa se falar todo dia?”, sem perceber que eu bem gostava de ter com quem falar todo dia.
Todo mundo gosta.

Já estive bem ao viver sozinho.
Ignorei alguns pedidos, aceitei alguns mimos.
Cancelei alguns dias, priorizei outras sextas frias.
Eu pensava ter o controle remoto da vida até vê-lo cair no chão e perder a pilha.

É que eu nunca me importei com essas coisas do coração, sabe?
Sempre me pareceu degradante perder horas do dia pela dor do adeus de uma companhia ou pelo “podemos marcar outro dia?”

Levei menos a sério do que eu gostaria. Talvez por uma forma de me defender das punhaladas que já levei; talvez com aquele tal do medo de sofrer – que se mistura com o receio em não viver.

Hoje as coisas mudaram um pouco por aqui.
Ando meio cansado de andar me distraindo com noitadas sem “bom dia”.
Essa vida de dormir junto e acordar sem companhia não tem alegrado mais os meus dias.
Mas é aquilo: tudo é questão de fase.
No começo é bom demais até percebermos que até o demais não é bom.

Estou com vontade de sentir saudade.
Aquele treco de lamentar pela fim de semana acabar tão rápido ou aquilo de comprar por dois o que sempre comprei para um.

As coisas tem mudado; quem me viu, quem me vê.
Logo eu, cheio do discurso da liberdade sentimental e do prazer da incerteza, hoje estou querendo uma perna para enroscar com a minha na madrugada.

Eu já tive muita coisa.
Mas poucas vezes tive tantas vezes uma coisa só: vontade de ter uma risada perto da minha.
Estou assumindo para mim mesmo que sozinho eu não quero mais.
Já não estou mais achando graça na vida de bebidas e entradas em festas de graça.
Acho que no fim todo mundo quer a mesma coisa, né?

Já vi um filme assim.
Não é novidade para quem gosta de sentir as coisas de verdade.
Eu não sou uma exclusividade.
Bem que eu poderia mentir e esconder o que sinto só para garantir mais alguns matchs antes de dormir, mas eu já me diverti o bastante.
Estou com vontade de saudade.



Marcio Rodrigues

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