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terça-feira, agosto 25, 2015

Indagações postas


Cai a audiência da novela das oito (que na real é das 9h30) por que está ruinzinha de doer e de matar (tantos) ou por que tudo que acontecerá na trama (?) é antecipado online e a cada segundo? As duas coisas?

A diarista Dora, que por força da profissão dorme cedo, sabe muito mais da novela das 11h do que quem assiste dia a dia. “Tudo contado na internet”. Por isso mesmo não vê mais a das oito. “Se já sei, vou ver pra que?”

Injuriada, ela indaga: quem foi o sem graça, desmancha prazer que inventou esse negócio de contar tudo antes de acontecer? Novela não é um acontecer devagarinho pra gente ficar curiosa e seguir seguindo?

Sem resposta, resmunga: telenovela é que não é mais... deve ser internetnovela, num é? Gente errada, sô.

Coisa do marketing, Dora.

Por que comprar o livro da Andressa Urach se já se sabe que a convertida conta tudo do submundo das subcelebridades, mas só entrega mesmo o português engomadinho do Cristiano Ronaldo? (CR7, aliás, já avisou aos seus detratores: Vosso ódio torna-me imparável!)

Será que a Joelma vai aceitar o pedido público de perdão do Chimbinha?

Como? Nem soube que a Joelma “deu publicidade” da separação? Nem sabe quem são um e outro? Nunca ouviu falar da Banda Calypso?

Não é noveleiro e quer que as novelas se explodam? Só soube da Urach quando ela quase morreu numa bombagem com hidrogel?

Faça o favor... Em que mundo vive você?

Mas ai, nesse outro mundo, ao menos já ouviu algum concentrado locutor oficial anunciar que alguém “vai fazer uso da palavra”? Sabe também que o pobre está anunciando que aquele alguém vai simplesmente falar ou discursar?

Saberá você me contar que mente empolada resolveu trocar as simples ações de falar ou discursar por quatro palavras? Será que foi o mesmo produtor do “fazer um pronunciamento”, também significando falar, discursar?

Pense a mãe, solene, pedir ao filho birrento que pare de fazer uso do grito? Ou um apresentador de TV anunciar: Agora, Michel Teló fará uso do canto...

Pense aguardar anunciado “pronunciamento” – que, pelo empertigado da palavra, sugere nada menos do que comunicação de guerra a país vizinho - e ouvir da autoridade: “... Então, aqui, hoje, eu to saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil.”. Acontece.

Seguro que foi da fornalha dos empolados que também saíram os “dar publicidade”, significando informar ou anunciar, e a já habitual “investigação rigorosa”. Indicando, óbvio, existirem duas categorias de investigação – a rigorosa e a nem tanto, que seria a do faz de conta. Mais costumeira.

Distintas indagações postas, cumpre informar que, nada mais havendo a tratar, por aqui vou parando de fazer uso do teclado, antes que caia na tentação de adentrar também a insondável linguagem acadêmica, com os seus “em comento, concertação argumentativa, processo hermenêutico, critérios não dirigísticos, atores secundários de contundência imaginativa”... E dá-lhe teses!

PS.: Historinha local.

Revoltado com a decisão do governo/DF de liberar para uso público as margens do Lago Paranoá, indevidamente ocupadas com píeres e assemelhados – e fechadas – por alguns moradores dos (bairros) Lago Sul e Norte, um dos atingidos perolou:

“Querem chamar a atenção do pobre agredindo o rico”. 

 Processo hermenêutico?

Tânia Fusco

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