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quarta-feira, março 04, 2015

Sem ódio e sem medo


O Brasil vive seu momento mais dramático desde o fim do regime militar.

Pode-se contra-argumentar que o impeachment do Collor foi mais grave. Mas ali o grito das ruas e as instituições entraram em sintonia. A crise foi equacionada de forma democrática e pacífica, sem que uma só voz ameaçasse recorrer à beligerância.

A dramaticidade dos dias atuais está tanto no desmanche de um governo que mal começou como na existência de forças interessadas na radicalização, principalmente no interior do bloco governista.

Com o propósito de perpetuar o seu projeto de poder, nem que for na marra, Lula se diz preparado a ir à guerra e disposto a por nas ruas o “exército de (Pedro) Stedile”.

Está se formando um caldo de cultura da violência, do rancor, da intolerância, do confronto.

É neste campo que petistas querem travar a guerra para camuflar seu fracasso na economia, onde após seis anos de subsídios, desonerações, populismo tarifário e irresponsabilidade fiscal, o governo adota agora um pacotaço que pode matar o paciente de overdose.

Mas também para esconder suas impressões digitais no escândalo da corrupção na Petrobras. Nesse jogo sujo vale tudo. Vale acusar as elites e a oposição de conspiração contra os interesses nacionais, uma ladainha enfadonha e sem sentido.

Há o risco real de segmentos da sociedade caírem na armadilha, aderindo à lógica do confronto.

Até porque há um clamor nacional pela ética, ao qual o PT desdenha, desqualifica, taxando-o de udenismo. Sabemos aonde isto leva.

Como desativar a bomba? Aqui voltamos ao título deste texto, na verdade o slogan do saudoso Marcos Freire, na sua candidatura a senador de 1974: “sem ódio e sem medo”.

Não deve haver espaço para rancor, mas sim para paz. E o fundamental compromisso com o fortalecimento das instituições e com o direito dos brasileiros de ocuparem as ruas e exigirem, pacificamente, a verdade.

O Brasil saberá encontrar o caminho para superar o “clima de fim de feira que varre o país de ponta a ponta apenas dois meses após a posse de Dilma Rousseff”, como disse o petista histórico, Ricardo Kotscho, em seu blog.

Certamente não será pela guerra preconizada por Lula.

Será pelo resgate daquilo que nos ensinaram os gregos sobre qual deve ser o objetivo mais nobre da política: resolver de forma civilizada os conflitos da sociedade.

Sem se deixar cair nas armações de quem quer o confronto, sem ódio e sem medo é que os brasileiros ocuparão as ruas no dia 15 de março.

Hubert Alquéres Hubert Alquéres

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