A cena não é inventada (infelizmente). Búzios, último domingo. Sol ideal, mar ideal, temperatura ideal.Observei o casal que estava à minha frente. (não é o da foto…) Ela se levantou para andar até as pedras com duas amigas.
Embaixo da barraca de sol, ele gritou baixo, quase para ele mesmo: “Vai mesmo! Tomara que caia lá de cima e eu fique viúvo, sua f… da p…”. Ela não escutou.
Choquei.
Pensei em como essa explosão de fúria e falta de educação reflete o ódio cultivado por muitos casais que se sentem reféns de uma situação, não sabem sair dela ou até nem querem sair, por masoquismo. Há casais – e, insisto, não são poucos – viciados em transformar num inferno seu cotidiano, mesmo em ocasiões idílicas.
Na verdade, é nas viagens em férias que incompatibilidades e implicâncias podem vir à tona com uma ferocidade dolorosa e desconhecida.
Quantas e quantas vezes você discutiu com seu namorado, marido, companheiro durante um passeio idealizado para relaxar e colocar o amor em dia? Quantas vezes vimos casais em público parecendo dispostos a ir na jugular um do outro, com a voz e o olhar inflamados de raiva?
Li hoje, no site do jornal inglês Daily Mail, uma reportagem que lista os 10 principais motivos de briga de casais nas férias. Pela ordem – do maior ao menor!
1) Homens “conferindo” outras mulheres, pela frente, por trás, de lado
2) Um quer “fazer” alguma coisa, o outro quer descansar e não fazer nada
3) Onde e o que comer
4) Bebida alcoólica em excesso
5) Leitura de mapas e outras discussões de quais estradas tomar e como cada um dirige o carro, viajando no exterior
6) Malas – ele escolhe pouca roupa demais e ela leva coisa demais em malas pesadas
7) O tempo que a mulher leva para se arrumar e sair
8) Gastos descontrolados
9) A ida para o aeroporto – um quer chegar cedo demais, o outro quer chegar mais tarde
10) Moeda – quanto levar e onde trocar
Bem, essa é a lista inglesa.
Segundo pesquisa feita na Grã-Bretanha, 79% dos casais admitiram ter tido ao menos duas sérias brigas durante férias de duas semanas. E 62% afirmaram que ficam às turras, um implicando com o outro, todos os dias das férias. Seis por cento dos casais se mudam para quartos separados durante as férias por causa de tensões não resolvidas.
O fato é que a rotina de trabalho, fora e dentro de casa, as solicitações familiares e as saídas com amigos costumam ocultar incompatibilidades (ou afinidades) de um casal. Se for casal “de primeira viagem”, aí então tudo é imprevisível, uma incógnita nas férias. Um grande amor pode ruir. Uma amizade colorida pode tornar-se um grande amor. Viagens proporcionam descobertas não só de lugares – mas do outro…e de nós mesmas.
Uma das condições básicas para viajar em harmonia é ter um relógio biológico compatível. Se um acorda às 8h e o outro ao meio-dia, vai ser difícil – também na hora de dormir. Outra é o gosto gastronômico. Vegetarianos e carnívoros radicais viajando juntos enfrentam problemas.
A curiosidade e a energia para descobrir novidades também contam em férias. A disposição para fazer algumas concessões deve estar na bagagem dos casais – e não de apenas uma pessoa, o homem ou a mulher. Bom sexo é um item essencial. Sem ele, implicâncias costumam surgir do nada. Férias de dois carentes são receita para surtar.
Enfim, um acessório fundamental para um casal se divertir em viagem: o bom humor, mesmo diante de adversidades. Tentar manter a calma, rir e ser flexível quando dá quase tudo errado ajuda o casal a não estragar um momento planejado para curtir e para se curtir um ao outro. (não vou nem falar desses casais que, mesmo na praia, na montanha e numa mesa de restaurante, só olham para seus celulares…….e teclam e falam e teclam e navegam e não conversam entre si).
Respeito mútuo também é bom. Xingamentos deixam marcas. E podem evoluir para violência física.
Você já se separou de alguém por causa das férias? Se quiser, compartilhe sua história. Sempre aprendemos algo com a experiência alheia.
Ruth de aquino é colunista de ÉPOCA.
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