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domingo, julho 24, 2016

Casa de vó


Domingo visitei minha avó.

Fazia tempo que não visitava sua casa.

Na volta, já no carro, chorei de saudade.

Saudade dela, saudade do tempo que eu era pequena e via aquele recanto com olhos de meninice, os mesmos olhos que acompanharam meu filho, o menino que não queria vir embora depois de um dia cheio.

Minha avó sempre foi exímia cozinheira, além de bem disposta e dedicada a agradar a todos pela boca.

Em sua casa nunca faltou o pão de queijo mineiro, a broinha de fubá e o biscoito de polvilho assados na hora, acompanhados do café coado no coador de pano e o chazinho de erva doce.

Além da boa prosa em volta da mesa e do afeto em forma de pudim de leite condensado, minha avó me ensinou muito pelo exemplo.

Ontem, em sua simplicidade carregada de sabedoria, disse que o coração enfraquece com a idade.

Enfraquece de tanto sofrer.

E arrematou dizendo que mesmo assim tinha alegria na vida e nas coisas de tanto amor.

Amor sem preconceito, sem inveja, sem dúvida.

Amor sem medo de tocar, de dizer que ama, de abraçar e segurar minhas mãos frias entre suas mãos quentes para me aquecer.

Amor alegre, de riso fácil, com cheiro de manteiga e farinha; amor disposto e disponível, no entusiasmo das aulas de tricô, no feitio das bonecas de pano, na hidroginástica às terças e musculação às quartas.

Amor na beleza singela que já foi perfeita, no dom de cuidar e servir.

Casa de vó é um monte de coisas mas principalmente um recanto de saudades, de saber que ali o tempo é escasso e passa depressa, de entender que nesse refúgio os momentos devem ser sugados até a última gota, porque a lembrança do quintal, do alpendre florido de orquídeas e da TV sintonizada nos canais tradicionais é muito passageira, ainda que eterna.

 Fabíola Simões

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