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quinta-feira, dezembro 31, 2015

‘É HORA DE MUDAR’ E OUTROS CLICHÊS DE FINAL DE ANO


Final de ano, no universo literário, é sinônimo de textos clichês, piegas, brega… chame do que quiser.

Escritores da moda e pseudo pensadores gritam aos sete ventos o quanto é importante mudar, corrigir e valorizar o que ainda dá tempo. Ilusão, uma doce ilusão quando a gente deixa tudo o que podemos fazer agora para o dia seguinte.

Quando esquecemos de todas as promessas e caímos no comodismo.

Mas, já reparou que o clichê é aquela frase que você sempre escuta com 100% de verdade e, por ser tão repetitiva, você não a pratica?

O clichê não pode sair de moda. Precisamos dele.

É normal nos depararmos com as seguintes postagens nas redes sociais

“Que ano que vem seja diferente.” ou “Que ano que vem eu deixe de ser…” e tais postagens se repetem todos os anos.

Há algo errado, né?

Se os anos passam e nada muda, é porque você não muda.

Está na hora de deixar de lado tudo o que é supérfluo, de ser menos exigente e ser mais compreensiva.

Permita-se sentir o gosto de um amor tranquilo.

Viver é incompreensível, talvez o segredo de tudo seja não levar a vida a sério.

Espero que você descubra o que te faz feliz e se agarre a isso – não deixe o medo afastar o que o destino te dá de presente.

Está na hora de acreditar em você e no seu potencial.

De entrar em aula de dança, porque dizem que te deixa mais leve e é tão eficaz quanto entrar numa academia.

De deixar de lado o travesseiro, a preguiça, o mesmo, o de sempre e o Netflix… (mentira, vamos continuar com o Netflix).

Está na hora de ter coragem. Sem excessos, na medida certa.

De fazer o que somos condicionados desde muito cedo.

De realizar sonhos que parecem estar distantes, mas só estão precisando de um empurrãozinho.

Ou talvez um empurrão e um chute pra ser mais certeiro.

Só que a sorte só visita a casa de quem tem coragem de deixar a porta aberta para receber tal responsabilidade.

De quem tem coragem de se arriscar, de se perder e se achar.

Está na hora de sair sem se preocupar que está chovendo.

De parar de reclamar que segundas-feiras são chatas, sabendo que você pode animá-las.

De ser rude com pessoas educadas e que não merecem sua indiferença.

É hora de desabrochar, de se render.

Está na hora de dar sentido a tudo.

De colorir o presente, de rabiscar o tempo e apagar o passado.

Nossa alma carece de tudo que é belo e gostoso de se sentir.

Já que somos protagonistas das nossas vidas, temos a escolha de não decepcioná-la.

A vida também cria expectativas nas pessoas (oportunidades perdidas que o digam).

É hora de adocicar a vida, de rechear a alma.

Está na hora de transformar, lutar, realizar, reagir e errar.

De pegar o ônibus errado, ficar desesperada e rir disso no final do dia.

De sair com a camisa ao avesso e não ficar estressada por ser tão distraída.

É hora de extravasar, descabelar, enlouquecer. De desgrudar e grudar de novo.

Porque é importante desapegar só quando deixa de ser recíproco.

É hora de se aborrecer menos com coisas que não merecem suas rugas.

De se irritar menos no trânsito, com pessoas que nunca mais verá.

De não gastar tanto dinheiro com florais, pois é você que dá atenção demais ao que te tira do sério.

Está na hora de radicalizar, renovar.

De cortar o cabelo, fazer uma tatuagem, comer um pote inteiro de chocolate sem se sentir culpada depois.

De decidir ingressar numa carreira, mesmo que digam que não dá dinheiro.

De quebrar a cara e aprender algo de bom nisso.

De sair sem hora pra voltar.

É hora de usar biquíni sem sentir vergonha do seu corpo.

De deixar o seu cabelo natural, pois é exatamente o natural que eleva nossa beleza.

De reencontrar velhos e bons amigos que a rotina faz questão de afastar, mas as boas lembranças não deixam que nos esqueçamos deles.

Está na hora de ser você e de fazer o que bem entender.

Sem colocar a maturidade em primeiro plano e sua felicidade em segundo.

É clichê, mas desejo a você esperança e uma fé sem tamanho, bem bonita.

E não importa para que ou para quem.

Mas desejo que essa fé e essa esperança te façam acreditar em tudo outra vez.

Desejo que nunca te falte band aids quando seu coração estiver machucado.

Te desejo mais abraços de dissolver angústias, mais declarações de inflar corações, gargalhadas de doer a barriga, mais motivos para marejar os olhos – de emoção.

É hora de demonstrar afetos, o amor não pode ser silenciado.

 Acorde, levante e bote na cabeça “de 2016 não passa”. E não deixe que passe.

Perca o medo, não recue, siga em frente.

O tempo passa rápido e não espera, não liga e não manda mensagens.

O tempo não resiste a tudo, nem a ele mesmo.

Anota aí: não deixe para 2017 o que você pode fazer em 2016.

Ana Carolina da Mata

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