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segunda-feira, dezembro 28, 2015

Como encontrar a felicidade


Feliz Ano Novo!

A expressão se repete pelo dia. Os amigos, os colegas, os motoristas de táxi, os atendentes nas lojas... Mas aí eu leio o jornal, ligo na GloboNews, ouço as queixas dos parentes e me pergunto... Será? Como ser feliz com as perspectivas que se anunciam?
Para os votos de Feliz Ano Novo realmente funcionarem deveria haver um truque científico.
Algo que cientificamente fizesse a felicidade acontecer.
Assim, você desejaria Feliz Ano Novo e junto daria um conselho — científico, é claro — que levaria à felicidade.
Impossível? Não mais.
Um neurocientista acaba de revelar os cinco hábitos que farão você feliz, de acordo com a ciência. É o doutor Alex Korb, da Universidade da Califórnia, quem anuncia a fórmula da felicidade.

Primeira dica: ouvir música da época mais feliz da sua vida.
Um dos efeitos mais fortes da música é levá-lo de volta à época em que você costumava escutá-la. Diz o doutor que tem a ver com o hipocampo.
Uma canção ouvida num tempo em que você foi muito feliz fará você ficar feliz sempre que escutá-la novamente, simplesmente porque ela o fará recordar do ambiente de felicidade.
Simples, não?
Basta escolher a época em que você foi mais feliz, lembrar-se da canção que escutava naquele tempo e ouvi-la outra vez.

Resolvi investir na música que ouvia quando tinha 8 anos.
Não me lembro se era muito feliz nessa época, mas devo ter sido.
Todo mundo é feliz aos 8 anos.
O que é que eu escutava?
A guarânia “Cabecinha no ombro”, com Alcides Gerardi.


Não foi difícil encontrá-la no YouTube. Descubro que é uma composição de Paulo Borges e que a gravação de que me lembro — a guarânia teve mais de 150 regravações — dura dois minutos e 46 segundos.
Quer coisa melhor?
É só ouvir uma música e ter dois minutos e 46 segundos de felicidade.
Quanta gente passa uma vida inteira sem ter isso?
O Gerardi começa a cantar: “Encosta tua cabecinha no meu ombro e chora...”.
Me veio à cabeça um corredor de grupo escolar.
Crianças correndo, uma professora meio distraída vestindo uma saia justa que cobria seus joelhos.
“E conta logo tuas mágoas todas para mim.”
Uma aula de abecedário.
Dona Raimunda ensinando com uma vareta apontando para o quadro-negro: be-a-bá, be-é-bé... “Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora.”
Eu estava sendo feliz?

Na dúvida, fui atrás da segunda recomendação do doutor Korb: “Sorria e use óculos escuros”.

Como é que é?
Esse cientista está falando sério?
Ele garante que sim.
Parece que o cérebro nem sempre é muito esperto.
Às vezes, ele se confunde ao interpretar seu estado de espírito.
Ele precisa de sinais.
O sorriso é o sinal mais óbvio de felicidade.
Mesmo que você não tenha vontade, sorria.
O cérebro vai achar que você está feliz e produzirá felicidade fazendo com que você fique feliz de verdade.
Deu pra entender?
Tem a ver com algo chamado biofeedback.
O sorriso transmite ao cérebro o mesmo prazer que duas mil barras de chocolate.
Agora você me pergunta e o que é que os óculos escuros têm a ver com isso.
É o tal do biofeedback.
Muita luz faz a gente franzir os olhos.
Mas olhos franzidos costumam indicar também que você está aborrecido ou preocupado.
Olha o biofeedback aí.
O cérebro pode interpretar isso como sinal de infelicidade.
Com óculos escuros, evitam-se os olhos franzidos.
Para o cérebro, isso pode indicar felicidade.

Não acredito.
Óculos escuros costumam me deixar muito infeliz por uma simples razão.
Eu vivo perdendo meus óculos escuros.
Não tenho nenhum no momento.
Para fazer a experiência científica, precisaria comprar óculos novos.
Mas sei que, daqui a dois ou três dias, já os teria perdido.
Prefiro minha cota de felicidade em chocolate.

Chegamos à terceira dica do doutor Korb: durma bem!

Aqui ele usa a tese da mão dupla.
Depressão leva à insônia, mas a insônia muito provavelmente também leva à depressão.
E como evitar a insônia?
Mantenha um local agradável para dormir e invente um ritual do sono para o cérebro se dar conta de que você está se preparando para dormir.
Tente dormir todos os dias à mesma hora.
Aqui o doutor Korb não fala muito de felicidade.
É para a gente concluir que depressão é infelicidade.
Não ter depressão, portanto, é ser feliz. Será?
Eu posso não ser deprimido e também não ser feliz. Ou não?

Bem, eu vou ficar por aqui.
Mas não eram cinco os hábitos que levam à felicidade?
Exatamente.
Mas, fala sério, depois de conhecer esses três primeiros, você ainda quer saber quais são os outros dois? Nem eu!

Portanto aposto num ano novo feliz baseado apenas em meu otimismo.

E é o que desejo a todos os leitores também.

Sem óculos escuros, sorrindo ou não, ouvindo música, comendo chocolates, dormindo bem...

Feliz 2016! 

Artur Xexéo

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