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segunda-feira, junho 01, 2015

QUEM MENTE PARA TODOS, MENTE PARA SI


Ana é uma moça comum, não fosse o fato de se dar muito bem com a sinceridade – tanto a dela, quanto a dos outros. 

Ela tem como amiga inseparável a Verdade e não tem problemas em usá-la com quem quer que seja. 

Talvez, por isso, ninguém mais se aproxime dela. 

Ana é uma em um milhão (dado completamente sem embasamento teórico, obviamente). 

Ela vai na contramão, bate de frente com a mentira e não deixa a falsidade tomar forma. Ana não sabe, mas nunca será compreendida. 

É difícil pra mim,assim como para Ana, entender a dificuldade que as pessoas têm em lidar com a sinceridade. Essa, que deveria ser uma característica vinda de fábrica, se tornou um item raro de ser encontrado

As pessoas, por medo de se mostrar ou de magoar, acabam optando pela criação de um personagem mais comedido, que pensa antes de falar e esconde fatos para agradar. Mas se tornam, da forma mais pejorativa que há, verdadeiros mentirosos.

Os covardes justificam a falta de sinceridade pela falta também de coragem.

Os sentimentais dizem não querer magoar o próximo.

E há ainda os que dizem que tem hora certa para falar a verdade, mas essa hora nunca chega no relógio deles.


O fato é que, mentindo para os outros, mente-se para si próprio.

Ninguém consegue construir relações sólidas em cima de mentiras. Pois a verdade age com rapidez e, ainda que rude, acaba por fortalecer a relação.

A mentira não, essa engana, magoa, destrói e faz tudo isso em longos períodos, ficando maior a cada dia que passa.

Para ser sincera com alguém há que se ter muita coragem. Olhar no olho e falar na lata um segredo de anos ou uma situação recente, sem se preocupar em agradar, é um ato de extrema força.

A mentira é que é para os fracos.

Há que se abrir mão do romantismo algumas vezes e contar para o companheiro determinado assunto que pode gerar conflitos. Deve-se apontar erros, reconhecer deslizes e não passar a mão na cabeça todas as vezes.

Só quem se importa consegue falar a verdade, mesmo correndo o risco de magoar. É assim também que se constrói uma amizade duradoura. Daquelas em que o indivíduo consegue levar broncas na brincadeira e ainda assim entender a mensagem.

Colegas que se transformam em amigos precisaram, antes, ouvir muitas verdades do outro. É assim que se confia e cria laços. Mas hoje parece que isso não importa, as relações estão cada vez mais superficiais e a mentira mais escancarada.

As pessoas sabem que estão sendo enganadas e preferem assim. Como se só quem suportasse a mentira é que fosse digno de um relacionamento.


Os que agem diferente, como Ana – a sincera, tendem a ser odiados, visto como rudes e sem sentimento. Mas quem fala a verdade ama, quem fala a verdade confia e é digno de confiança.

A diferença é que quem fala a verdade, mesmo que sozinho, dorme com a consciência tranquila, estando seguro de suas ações e seus diálogos.

Quem fala a verdade não se preocupa em agradar, pois sabe que só quem preza pela sinceridade é que vai entendê-la - e são essas as pessoas que valem a pena.

Quem fala a verdade não precisa guardar elogios na manga para soltar durante o dia.

Quem fala a verdade elogia quem e quando merece, caso contrário, prefere ficar em silêncio a ter que fingir simpatia.

Quem fala a verdade nem sempre é aplaudida, mas quando as palmas vêm, são sinceras. E no mesmo sentido, só prestigia quem acha que realmente merece.

Quem fala a verdade fica sozinha de início, é bem verdade, mas conta sempre com aquele que, no final, cansa da mentira que uma hora vem à tona. Afinal, ela tem pernas curtas.

E a verdade, mesmo que malquista, acaba sempre aparecendo para todos. E quando isso acontece, os covardes usam de várias desculpas para se consertar.

Muitos colocam a culpa na bebida alcoólica, outros dizem ser apenas uma piada e outros citam o estresse no trabalho como o causador das verdades gritadas e logo recuadas.

Então, pra você, covarde, que não tem coragem de segurar a bronca de uma verdade polêmica e está sem criatividade para desculpas, eu sugiro essa daqui:

“Desculpa, cara! Não fui eu, foi meu eu lírico.”


 NATANY PINHEIRO

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