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segunda-feira, junho 08, 2015

Deixa-me que me cale com o silêncio teu.


Gosto quando te calas porque estás como ausente, e me ouves de longe, minha voz não te toca. 

Parece que os olhos tivessem de ti voado e parece que um beijo te fechara a boca. 

Como todas as coisas estão cheias da minha alma emerge das coisas, cheia da minha alma. 

Borboleta de sonho, pareces com minha alma, e te pareces com a palavra melancolia. 

Gosto de ti quando calas e estás como distante. 

E estás como que te queixando, borboleta em arrulho. 

E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança: 

Deixa-me que me cale com o silêncio teu. 

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio claro como uma lâmpada, simples como um anel. 

És como a noite, calada e constelada. 

Teu silêncio é de estrela, tão longínquo e singelo. 

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente. 

Distante e dolorosa como se tivesses morrido. 

Uma palavra então, um sorriso bastam. 

E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade. 


Pablo Neruda

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