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sexta-feira, maio 01, 2015

O menino dos olhos brilhantes


Não faz muito tempo que eu pedi pra segurar a sua mão.

Disse que estava sentindo dor e que segurar na mão de alguém ajudava a passar.

Mentira. Eu não estava com dor. Eu só queria segurar a sua mão.

Você me ofereceu a mão e eu só pensava em quanto tempo eu ainda poderia segurá-la sem que parecesse estranho e você ficasse desconfortável. Você ficou desconfortável? Desculpe, eu costumo deixar as pessoas desconfortáveis.

Quanto tempo se passou desde então? Nossa, ainda estamos em Abril?

Eu poderia jurar que já se passaram uns oito Dezembros. E você me diz que não faz diferença e me explica que é destino. E eu que nunca acreditei em destino, começo a acreditar. É o destino, é o destino – repito para mim mesma.

É uma boa maneira de me confortar, porque eu sempre acordo achando que aquele é o dia fatídico que você vai achar que tudo isso é uma grande besteira e que não há espaço para mim na sua vida. Mas olha, eu preciso te dizer que espaço a gente arruma. Move umas caixas aqui, uns passados ali e sempre arruma.

É engraçado como as pessoas se tornam importantes em nossas vidas, né? A gente conhece alguém, exatamente igual a todas as outras pessoas do mundo e mesmo sem saber nada dela, como gosto musical, comida favorita ou se prefere limão ou laranja no refrigerante, percebe, no meio de um suspiro, que não vive mais sem ela.

E a gente enlouquece. Enlouquece sabendo que está enlouquecendo e querendo enlouquecer ainda mais. Toda loucura ainda não é o bastante. Me ajuda aqui, menino. Desata esse nó, segura essa barra e vem enlouquecer comigo.

É nessa hora, quando a loucura aparece, que olhamos pra trás e vemos que o caminho já se desfez. O antes não existe mais e voltar não é uma opção. Você queria ter tido opções? Pede para eu ficar, vai! Pede para o ônibus ir embora sem mim.

Pede para eu não voltar pra casa. Hoje não. Amanhã eu volto. Pede para eu gastar o meu tempo com você. Pede para eu ouvir um pouco mais. Pede para eu não sair do seu abraço.  

É só me olhar com esses olhos brilhantes que eu fico, eu faço, eu esqueço.

Mas você só pede para eu esperar. E eu, que nasci prematura e nunca esperei nada na vida, espero. Espero dizendo que não vou esperar, me fazendo de durona e dizendo palavras bonitas, mas olhando o relógio passar.

A cada segundo estou mais perto de você. Porque é o destino, se lembra?

Olha eu aqui me humilhando pedindo para você me escolher.  

É o destino que escolhe ou é você? Eu voltei a ter 15 anos e a dedicar mentalmente músicas para esperar alguém. Aperto o play enquanto te espero.

Quero estar bonita quando você chegar. Mas não demora, menino dos olhos brilhantes. Não demora por que beleza envelhece.


Marina Barbieri

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